Desemprego cai, mas ainda afeta 13 milhões de brasileiros

Nos três meses até maio, o desemprego afetou 12,7% das pessoas na força de trabalho, segundo o IBGE

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 12,4% nos três meses encerrados em junho, de acordo com dados da pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O país tinha 13 milhões de desempregados. Nos três meses até maio, o desemprego afetou 12,7% das pessoas na força de trabalho. De abril a junho de 2017, a taxa de desocupação estava em 13%.

A população desempregada, de 13 milhões, formada por pessoas que procuraram e não encontram emprego, caiu 3,9% de abril a junho deste ano, na comparação com o mesmo período de 2017 (menos 520 mil pessoas). Frente ao primeiro trimestre deste ano, a queda foi de 5,3% (723 mil pessoas). Segundo a pesquisa, a população ocupada era de 91,2 milhões no segundo trimestre, alta de 1,1% frente ao mesmo período de 2017 (ou 1 milhão de pessoas a mais).

Ante o primeiro trimestre deste ano, houve ligeiro aumento de 0,7%, o que significa 657 mil pessoas a mais trabalhando. Dessa forma, o total de pessoas na força de trabalho (soma dos empregados e dos desempregados que procuraram emprego) cresceu em 1,2 milhão no segundo trimestre, frente ao mesmo período de 2017 (+1,9%). Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, o aumento foi de 774 mil, o que representa crescimento de 1,2%. 

JUROS – O Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter pela terceira vez seguida a Selic em 6,50% ao ano, seguindo o que esperava a maior parte do mercado financeiro. O mercado precifica que os juros permaneçam estáveis pelo menos até o final do ano, sem sinalizações sobre o futuro por parte do BC. No comunicado, a autoridade monetária seguiu o mesmo tom neutro que adotou no último encontro, sem dar grandes sinalizações sobre o que irá fazer nos próximos meses.

VAREJO – As vendas de supermercados no Brasil em junho cresceram 3,37% em termos reais ante igual período de 2017, mas recuaram 0,7% sobre maio, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). A queda nas vendas ante o mês anterior, segundo a associação, já era esperada e reflete os problemas causados pela greve dos caminhoneiros no fim de maio. No primeiro semestre, o crescimento das vendas foi de 2% em relação ao mesmo intervalo do ano passado, de acordo com o levantamento. Apesar do desempenho acumulado positivo, a Abras revisou a projeção das vendas para 2018 para alta de 2,53%, abaixo da previsão anterior de aumento de 3% divulgada em janeiro deste ano, em razão do cenário econômico.

INDÚSTRIA 1 – Com uma alta de 13,1% em junho, na comparação mensal ajustada, a produção industrial neutralizou a queda de 11% registrada em maio, sob efeito da greve dos caminhoneiros. Ainda assim, o tombo de maio prejudicou a média trimestral e o setor encerrou o período de abril a junho com uma retração de 2,5% na atividade, em relação ao primeiro trimestre, feito o ajuste sazonal. Diante do resultado, alguns analistas já esperam um Produto Interno Bruto (PIB) negativo para o segundo trimestre. O fraco desempenho, no entanto, deverá ser compensando por um terceiro trimestre mais forte, com pouco efeito sobre o resultado anual, já revisado para baixo sob impacto da crise de abastecimento gerada pela paralisação dos condutores. Para a segunda metade do ano, os economistas esperam uma volta da produção industrial ao ritmo de recuperação gradual, visto antes do protesto.

INDÚSTRIA 2 – O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria brasileira subiu 0,8 ponto percentual entre maio e junho, com ajuste sazonal, chegando a 76,7%, vindo de 75,9% em maio. Os números são da pesquisa Indicadores Industriais, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na comparação com junho de 2017, quando o uso da capacidade foi de 77,2% na série com ajuste sazonal, o Nuci da indústria, portanto, caiu 0,5 ponto percentual. “Os resultados de junho são em parte positivos, mas trazem alguma preocupação”, avalia a entidade da indústria em estudo. As horas trabalhadas avançaram 1,3% entre maio e junho. Em relação ao mesmo mês do ano passado, o indicador avançou 1%. O faturamento real do setor, por sua vez, subiu 26,4% entre o quinto e sexto mês deste ano. Na comparação com junho de 2017, ele avançou 10,2%.

CONFIANÇA 1 – Após três quedas consecutivas, a confiança do empresariado voltou a subir em julho. Com o dissipar dos efeitos da greve dos caminhoneiros, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) subiu 0,9 ponto em julho, para 91,6 pontos, recuperando parte da queda de 2 pontos do mês anterior, informou a FGV. Em médias móveis trimestrais, o índice caiu pelo quarto mês consecutivo (-0,6 ponto). Na análise de Aloísio Campelo, superintendente de Estatísticas Públicas da FGV, a confiança empresarial deve voltar ao nível pré-greve nos próximos meses. Para Campelo, o resultado evidencia que já passou o pior das consequências da greve. O ICE consolida os índices de confiança dos quatro setores cobertos pelas Sondagens Empresariais produzidas pela FGV: Indústria, Serviços, Comércio e Construção.

CONFIANÇA 2 – O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) cresceu 3,4% em julho na comparação com junho, para 101,6 pontos, informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na comparação com o mesmo mês de 2017, o indicador subiu 2,1%. O indicador é calculado a partir de seis componentes de expectativa: inflação, desemprego, situação financeira, endividamento, renda pessoal e compra de bens de alto valor, único em queda na comparação com junho. Já na comparação com o mesmo período de 2017, os componentes registraram melhora, com exceção da expectativa de inflação, na qual se identifica um recuo de 1,1%. Em todos os casos, quanto maior o índice, maior o percentual de respostas positivas, ou seja, maior o percentual de respondentes esperando queda na inflação, recuo no desemprego, evolução da renda pessoal, aumento das compras de bens de maior valor, melhora da situação financeira ou menor endividamento.

INCERTEZA – O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou 8,3 pontos entre junho e julho de 2018, para 116,8 pontos, informou a FGV. Com o resultado, o indicador persiste na região de incerteza elevada (acima de 110 pontos) pelo quinto mês consecutivo. O recuo do IIE-Br em julho foi disseminado entre seus três componentes, com destaque para a componente Mídia, que retrocedeu 8,7 pontos em relação a junho, colaborando com redução de 7,6 pontos para o comportamento do indicador. O componente Mercado recuou 3,7 pontos, contribuindo com 0,4 ponto para o comportamento do índice geral no mês. O IIE-Br Expectativa recuou 1,3 ponto, representando redução de 0,3 ponto para o índice agregado. “Após o choque de junho, a incerteza voltou a cair mas continua acima dos 110 pontos. Os pontos de resistência para uma maior queda da incerteza são as eleições presidenciais e o cenário externo”, diz o economista Pedro Costa Ferreira, da FGV, em comentário no relatório.

ENDIVIDAMENTO – Um desejo maior pelo consumo levou ao aumento de famílias endividadas em julho. É o que mostrou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ao anunciar a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). No levantamento, o percentual de famílias que se declararam endividadas subiu de 58,6% para 59,6% entre junho e julho, o maior desde abril deste ano (60,2%). Entretanto, ainda se posicionou abaixo de julho do ano passado (60,2%). Ao mesmo tempo, não houve piora nos indicadores de inadimplência, no mesmo período. Para Marianne Hanson, economista da CNC, a elevação entre junho e julho não representa piora no cenário de endividamento, e, sim, um sinal de que as famílias viram uma janela de oportunidade em seu orçamento para efetuar compras e, com isso, assumiu novas dívidas.

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