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Crise política adia perspectiva de melhora no varejo

A delação premiada do empresário Joesley Batista, do JBS, que atingiu o presidente Michel Temer, abre uma nova crise política e joga um balde de água fria em empresários que contavam com a recuperação dos negócios. A situação afeta todos os setores, e pesa, principalmente, nas atividades dependentes de crédito e confiança.

O presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), Claudio Felisoni de Ângelo, reforça que o cenário tumultuado ameaça a recuperação que se esboçava também no varejo. “Os bancos ficam mais cautelosos com crédito, as pessoas ficam mais preocupadas quanto ao emprego”, comentou.

Felisoni considera que a aprovação de reformas como a previdenciária e a trabalhista vinha sendo considerada uma condição essencial para uma recuperação da confiança e de investimentos que gerassem empregos. Sem uma recuperação do emprego – aguardada para o segundo semestre – as perspectivas para o varejo mudam.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Eduardo Terra, o sentimento de insegurança afeta as projeções para a retomada este ano. Ele avalia, porém, que o impacto nos setores de consumo não deve ser da mesma magnitude que no início da crise política que culminou na saída de Dilma Rousseff da Presidência.

“Estávamos falando de elementos positivos no cenário, com boas vendas durante o Dia das Mães e saldo positivo de empregos em abril: isso acabou”, concluiu. “Mas não acredito que voltamos para uma recessão profunda”, acrescentou, avaliando que o patamar atual de inflação e taxa de juros permite um clima menos dramático.

O presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Glauco Humai, aponta que a agenda política voltará a ditar os rumos do País, de modo que a retomada do crescimento econômico dependerá da velocidade com que a crise política for resolvida.

Ele observa que os consumidores ainda contam com inflação baixa, câmbio razoável e recursos extras gerados pelos saques de contas inativas do FGTS, o que dará fôlego por mais algum tempo ao varejo. “Isso demora um pouco a se reverter e dá um prazo para os consumidores seguirem de bom humor”, disse.

Fonte: Estadão.com