Vendas na Páscoa têm alta de 1,29% em 2019, diz CNDL/SPC Brasil

Prévia do IGP-M consolida desaceleração dos preços

O volume de vendas a prazo na semana anterior à Páscoa apresentou crescimento de 1,29% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Em 2018, as vendas haviam recuado 0,34%, após crescerem 3,34% em 2017. Já entre os anos de 2015 e 2016, as vendas no período acumularam queda de 2,24% e 13,34%, respectivamente. Os produtos mais procurados para a Páscoa foram, em ordem, os tradicionais ovos de chocolates industrializados, caixas de bombons, ovos de páscoa artesanais e caseiros, barras de chocolate industrializadas e artesanais, colombas pascoais e bebidas, como vinho, segundo o levantamento do SPC Brasil e da CNDL. O cálculo de vendas a prazo é baseado no volume de consultas realizadas ao banco de dados do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), com abrangência nacional, entre os dias 14 e 20 de abril deste ano.

 

INFLAÇÃO – A segunda prévia de abril do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) mostra a consolidação da tendência de desaceleração puxada pelos alimentos, notadamente os in natura e as matérias-primas brutas. Em abril, o IGP-M subiu de 0,78% no segundo decêndio, contra 1,06% em igual período do mês anterior, conforme o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do Ibre/FGV, André Braz, ressalta que a desaceleração do IGP-M começa a mostrar força pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA). Responsável por 60% do IGP-M, o IPA subiu 0,89% na segunda medição de abril, ante 1,41% em igual período de março. Braz explica que alimentos com grande peso no IPA desaceleram ou caem de preços.

No IPC ainda não se percebe a desaceleração vista no IPA, principalmente por causa do comportamento de alguns administrados, notadamente a gasolina e os medicamentos. Na segunda prévia de abril, o IPC subiu 0,66%, ante 0,50% em igual período de março. Mas Braz pondera que as pressões de baixa vistas no IPA deverão chegar ao IPC. Na segunda medição de abril já se percebe desaceleração nas hortaliças e legumes, que ficaram em 8,74%, contra 11,42% na segunda prévia de março. “A parte sazonal da alimentação deve começar a desacelerar. Não visualizo nenhum choque de preços no horizonte.

 

PIB TRIMESTRAL – A probabilidade de o Produto Interno Bruto (PIB) ser negativo no primeiro trimestre cresceu significativamente após os fracos resultados da atividade econômica de fevereiro. Essa percepção foi reforçada por dados do Monitor do PIB, divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), que mostraram queda de 0,4% da economia em fevereiro, ante janeiro, com ajuste sazonal. Cláudio Considera, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), afirmou que o desempenho do PIB em fevereiro foi o pior registrado desde maio do ano passado. Naquele mês, a economia do país recuou 3% refletindo o desarranjo provocado pela paralisação dos caminhoneiros na indústria, nos serviços e no comércio. “A economia está paralisada, em compasso de espera de uma resolução da situação fiscal, da aprovação da reforma da Previdência. Então, aumentou a probabilidade de um PIB negativo no primeiro trimestre”, disse Considera.

O economista da FGV chamou a atenção para a média móvel trimestral do indicador, que mostra estabilidade para o período de dezembro a fevereiro. Ele acrescentou que, neste ano, o feriado do carnaval ocorreu em março. O mês terá, portanto, um número menor de dias úteis, o que seria um peso negativo a mais para o terceiro trimestre. “O tratamento sazonal é feito para eliminar esse tipo de diferença do calendário, mas sabemos que o resultado nunca é tratado completamente.” No Boletim Focus, do Banco Central, a mediana das previsões aponta para crescimento de 1,95% do PIB neste ano. Nos últimos dias, porém, analistas têm revisado para baixo as suas projeções. O Itaú, por exemplo, cortou sua aposta de 2% para 1,3%. “O crescimento do PIB vai ser medíocre, outra vez. E sem crescimento, você não resolve o desemprego”, disse Considera.

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