Para encerrar a agenda institucional de maio, o presidente da ABAD – Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores e da UNECS – União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços, Leonardo Miguel Severini, participou do NIQ Full View 2026, maior evento promovido pela NielsenIQ Brasil.
Leonardo integrou o painel “Menos Volume, Novas Regras: Como o varejo se adapta à transformação do consumo”, ao lado de Belmiro Gomes, CEO do Assaí Atacadista; Edison Tamascia, presidente da Febrafar/Farmarcas; e Maggie Aquino, Head Comercial de CPG – Bens de Consumo do Mercado Livre.
O debate reuniu algumas das principais lideranças do setor para analisar as mudanças que vêm moldando o comportamento do consumidor brasileiro, impulsionadas por fatores como endividamento das famílias, estratégias de economia, crescimento do consumo fora do lar, avanço do e-commerce e movimentos de trade-up em diversas categorias.
Ao abordar os impactos dessas transformações no canal atacadista distribuidor, Leonardo destacou que o endividamento das famílias continua sendo uma das forças mais relevantes para o consumo, influenciando diretamente o poder de compra e tornando o consumidor mais racional e seletivo em suas escolhas.
Segundo ele, o consumidor brasileiro passou a buscar mais valor em cada compra, combinando estratégias de economia com decisões mais conscientes sobre onde e como investir sua renda. Nesse cenário, o papel do atacado distribuidor é garantir que o pequeno e médio varejo tenha acesso a diferentes alternativas de sortimento capazes de atender perfis variados de consumidores.
Outro tema debatido foi o impacto das chamadas canetas emagrecedoras nos hábitos de consumo. Para Leonardo, ainda é cedo para identificar mudanças estruturais em larga escala, mas o movimento merece acompanhamento atento por toda a cadeia de abastecimento. Ele observou que a busca por saúde, bem-estar e alimentação equilibrada já vinha ganhando força antes mesmo da popularização desses medicamentos e deve continuar influenciando o desenvolvimento de novas categorias e produtos.
O avanço do e-commerce também esteve entre os destaques do painel. Leonardo ressaltou que a digitalização deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade estratégica para toda a cadeia de abastecimento. Segundo ele, o desafio atual não está apenas em vender online, mas em integrar canais, fortalecer o relacionamento com os clientes e oferecer experiências cada vez mais eficientes.
“O futuro passa pela integração entre atendimento presencial, relacionamento comercial e ferramentas digitais. A tecnologia transforma os canais, mas a missão permanece a mesma: garantir disponibilidade de produtos onde o consumidor está”, destacou.
Ao analisar as perspectivas para o setor em 2026, Leonardo afirmou que o atacado distribuidor mantém uma visão de cauteloso otimismo. Por sua ampla capilaridade e presença em praticamente todas as regiões do país, o setor funciona como um importante termômetro da atividade econômica e do comportamento de consumo.
Mesmo diante dos desafios econômicos, Severini observou que o consumo segue demonstrando resiliência e que as empresas continuam investindo em eficiência operacional, tecnologia e qualificação de equipes. Para ele, o potencial de crescimento do mercado brasileiro permanece significativo, embora o ritmo dessa expansão dependa de fatores como ambiente macroeconômico, confiança dos consumidores, segurança jurídica e estímulos aos investimentos.
Com faturamento de R$ 616,6 bilhões em 2025, participação de 56% no mercado nacional de abastecimento e mais de 1 milhão de pontos de venda atendidos, o setor atacadista distribuidor reafirma seu papel estratégico na conexão entre indústria e varejo e na garantia do abastecimento em todas as regiões do país.
Ao final do painel, Leonardo reforçou que as transformações no comportamento do consumidor exigem uma evolução constante de toda a cadeia de abastecimento. Segundo ele, tecnologia, dados, produtividade e colaboração entre indústria, distribuição e varejo serão fatores decisivos para transformar tendências em oportunidades e gerar valor para consumidores e empresas nos próximos anos.















