Comitê ESG da ABAD se reúne com foco em práticas concretas e desafios do setor

A ABAD realizou, no dia 15 de abril, em São Paulo (SP), um novo encontro do Comitê ESG, reunindo empresários da indústria e do setor atacadista distribuidor interessados em avançar na agenda ESG em suas organizações. Formado em 2023, o comitê vem atuando de forma estruturada nos pilares social, ambiental e de governança, sempre alinhado às demandas mais atuais do setor.

A abertura do encontro foi conduzida pelo coordenador do comitê, Alessandro Dessimoni, que destacou que o atual cenário está repleto de desafios para a cadeia de abastecimento. “Há uma série de coisas acontecendo que impactam as decisões ESG”, disse, ao mencionar a guerra no Oriente Médio, que desestabiliza toda a cadeia do petróleo; as mudanças da NR-1, sobre os riscos psicossociais no ambiente de trabalho; a reedição da portaria sobre o adicional de periculosidade para trabalhadores que utilizam motocicleta para deslocamento; e a possível redução da jornada com o fim da escala 6×1.

Ao lado de Dessimoni, o vice-presidente da ABAD, Antonio Alves Cabral, representando o presidente Leonardo Miguel Severini, reforçou o compromisso da entidade com o desenvolvimento sustentável do setor e a necessidade de atuação conjunta entre os diferentes elos da cadeia de abastecimento. Já o CEO da Associação, Oscar Attisano, destacou que, com o apoio da UNECS, a ABAD tem uma forte presença no Congresso Nacional na defesa dos interesses do setor.

A reunião seguiu com foco especial nos pilares social e ambiental. A agenda de governança seguirá em discussão nos próximos encontros e também no grupo de trabalho do comitê.

Pilar Social: da escassez de mão de obra à formação de talentos

A falta de mão de obra qualificada foi um dos principais pontos debatidos entre os participantes. O tema tem impactado diretamente as operações do setor e exige soluções estruturadas e de longo prazo.

Responsável pelo pilar social do comitê, Hugo Bethlem, do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, destacou que o momento exige uma mudança de postura das empresas. “Precisamos sair do discurso e avançar para a prática”, afirmou, reforçando a importância de ações concretas que gerem impacto real na formação e retenção de talentos.

Entre as soluções para contratação de mão de obra qualificada está a busca por profissionais jovens (abaixo de 25 anos) e por profissionais mais experientes, com mais de 50 anos, que seguem fora do mercado de trabalho. Para capacitar essas duas faixas etárias, Bethlem sugeriu algumas ações, entre elas:

  • utilização da UNIABAD para oferecimento de cursos específicos para esses profissionais;
  • parceria com instituições técnicas como SENAI e SENAC;
  • formação em habilidades socioemocionais e comportamentais para os jovens;
  • criação de curso introdutório virtual e gratuito sobre o setor atacadista distribuidor;
  • adesão ao programa Acredita no Próximo Passo, iniciativa do Governo Federal voltada à inclusão produtiva, autonomia socioeconômica e melhoria de renda de pessoas em situação de vulnerabilidade;
  • oferecimento de cursos de reciclagem profissional para trabalhadores 50+.

Na sequência, foram apresentados exemplos práticos de empresas que já vêm atuando nessa frente. A Nestlé, por exemplo, representada por Gabriela Albuquerque, possui um programa de empregabilidade para pessoas com mais de 60 anos nos pontos de venda, valorizando profissionais que, muitas vezes, estão afastados do mercado há bastante tempo. “Valorizamos esse profissional ao trazê-lo para trabalhar conosco em promoções corporativas e eventos”, declarou Gabriela.

Por fim, Bethlem convocou todos os presentes a abraçarem a causa.

Pilar Ambiental: regulação mais rígida e novas oportunidades para o setor

No eixo ambiental, o debate evidenciou um cenário de crescente exigência regulatória. A tendência, segundo os participantes, é que a legislação ambiental se torne cada vez mais rigorosa, especialmente no que diz respeito ao descarte de resíduos e à responsabilidade compartilhada, conforme estabelecido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Entre os pontos discutidos, Gustavo Fonseca, da Baga, coordenador do pilar ambiental do comitê, destacou um decreto em andamento que prevê, até 2029, a instalação de pelo menos um Ponto de Entrega Voluntária (PEV) para cada 10 mil habitantes em todos os municípios brasileiros.

Nesse contexto, o projeto Futuro Consciente, iniciativa que utiliza a capilaridade do setor para viabilizar a instalação de PEVs no pequeno varejo, foi apresentado como um case relevante. O projeto piloto, implementado em Porto Alegre (RS), recebeu reconhecimento do Ministério Público local, reforçando seu potencial de escala.

“Essa não é uma solução para coletar grandes volumes de resíduos, mas para servir de interface direta com o consumidor para educação ambiental. É um projeto voltado ao pequeno varejo, já que vemos que os grandes varejistas já têm soluções em funcionamento”, disse Fonseca.

Foi consenso entre os participantes que o atacado distribuidor tem papel estratégico nesse processo, justamente por sua capacidade de chegar a todos os territórios e municípios do país. “Por que o canal indireto é importante? Porque mais de 55% de tudo o que a indústria vende passa pelo canal indireto”, comentou Attisano.

A reunião também abordou, dentro do pilar ambiental, a descarbonização da logística. A nova parceria da ABAD com a Comgás foi apresentada por Thiago Reis Borer de Oliveira e Mariana dos Santos Fernandes, gerente comercial e analista de marketing da companhia. Para complementar a experiência, Luiz Gustavo Pires de Camargo, da Química Amparo/Ypê, deu o seu relato sobre como tem sido a adesão ao gás natural como combustível para a frota da companhia. “Queremos incentivar outros para aderir, pois estamos gostando bastante essa parceria”, relatou.

Houve espaço, também, para o debate sobre novos modais elétricos, com uma breve apresentação de Ricardo Jorge Jahn, gerente nacional de vendas varejo da Sany, empresa chinesa em atuação no Brasil que já oferece frotas de caminhões elétricos.

Nesse ponto, Rogério Oliva, diretor de Relacionamento e Negócios da ABAD, fez um apontamento relevante: “Temos uma frota de mais de 120 mil caminhões circulando. E, além dos caminhões, há todo o consumo indireto com 500 mil colaboradores do setor atacadista distribuidor e mais 145 mil vendedores que estão diariamente nas ruas realizando vendas com veículos automotores”. Ele destacou ainda que a mudança no combustível das frotas abre caminho para outras transformações internas nas empresas associadas e em suas parcerias.

Pilar Governança: agenda segue em construção

Embora não tenha sido o foco principal desta reunião, o pilar de governança segue como parte fundamental da agenda ESG do comitê. Os temas relacionados à governança serão aprofundados nos próximos encontros e também nas discussões contínuas realizadas no grupo de trabalho formado no WhatsApp.

Essa nova reunião reforça o papel do Comitê ESG da ABAD como um espaço estratégico para troca de experiências, construção de soluções e fortalecimento de uma agenda cada vez mais prática e alinhada aos desafios reais do setor.

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