Transformação digital no atacado e na distribuição pode otimizar lucro sem abandonar legado

A palestra “Do Legado à Transformação Digital: estratégias, modelos e novas jornadas de compra” do especialista em varejo e consumo, Eduardo Terra, deu início à programação do segundo dia da 45ª Convenção Nacional e Anual do Canal Indireto – ABAD 2026 ATIBAIA. O ex-presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) e especialista em varejo abordou os avanços em Inteligência Artificial, trouxe dados e experiências de sua última viagem à China e encantou o público ao exibir um vídeo sobre robôs dançarinos em um show no país asiático.

O especialista começou sua fala quantificando o tamanho do mercado high-tech ao citar as sete maiores empresas de tecnologia do mundo – Nvidia, Microsoft, Apple, Alphabet (Google), Amazon, Meta (Facebook e Instagram) e Tesla – as quais, segundo suas pesquisas, têm lucro líquido médio de 30%, além de representar 35% da bolsa dos Estados Unidos e 30% do PIB do país de Donald Trump. 

“Só a Nvidia vale mais que a Bolsa de Londres todinha junta, a maior bolsa de valores da Europa. A Meta vale duas vezes a bolsa brasileira (B3)”. Esse panorama integrou o tópico “Ebulição”, o primeiro dos seis pontos abordados por ele durante a palestra de cerca de uma hora.

“Novas jornadas de compra do varejo e do consumidor” foi o segundo tema explicado. Ele afirmou que o caminho digital do cliente iniciado nos sites, depois de passar por aplicativos, marketplaces, e-commerce e mídias sociais, agora chega à era da inteligência artificial. “Qual vai ser o papel do ChatGPT, do Gemini e do Claude na compra de um varejista?”, indagou ao público presente, sinalizando que 40% do varejo chinês acontece por live, por conteúdo e não por busca. Já ao citar seu terceiro pilar “Atacado e Distribuição movidos por IA”, Terra apresentou soluções de digitalização para Centros de Distribuição que podem otimizar a operação e os estoques, reduzindo custos e prazos.

A chegada dos robôs foi o quarto assunto citado pelo especialista, que destacou os avanços da China nesse quesito. “E lá onde ficam as maiores empresas de robóticas do mundo. Eu visitei duas na minha última viagem. A grande novidade dos robôs é a IA. Eles são treinados, pensam e assustam”, disse ele, que também explicou que os drones são classificados como um tipo de robô e agora estão proibidos na China devido à sua utilização nas guerras.

Fronteiras e legados

“Hoje, 20,5% de tudo que se compra no mundo é on-line, sendo que 78% pelo mobile e 70% com a utilização de IA, então, não dá pra dizer que isso é um nicho, uma tendência ou o futuro”, afirmou Terra ao abordar seu quinto tópico “As fronteiras do e-commerce para o B2B”.

E a partir desse cenário instalado e com viés de expansão, ele deixou seu conselho embasado no sexto e último tópico da palestra “Uma nova visão da transformação digital”. De acordo com Terra, uma empresa de comércio deveria ter na agenda o quanto de lucro pode ser obtido de negócios que vão além do seu core business, incluindo segmentos como o de logística, de anúncios on-line e de operações financeiras, e cita o case de sucesso do Mercado Livre com a empresa Mercado Pago.

“A questão é como eu saio de uma empresa tradicional, de legado, para uma empresa digital. E não é que eu vou abandonar isso e virar outra coisa. Eu, do atacado e da distribuição, tenho meus legados, minha cultura e meus ativos, mas o mundo hoje é de inteligência artificial, de e-commerce, como eu crio isso é o desafio”, completou.

 

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