Painel debate os impactos e as oportunidades da nova legislação para o mercado farma

A recém-aprovada Lei nº 15.357/2026, que autoriza a instalação de farmácias em supermercados, foi o tema central do painel “Uma visão inovadora do potencial e das oportunidades do mercado de farma”, realizado durante a 45ª Convenção Nacional e Anual do Canal Indireto – ABAD 2026 ATIBAIA. O debate reuniu representantes de diferentes elos da cadeia para analisar os impactos da nova legislação, os desafios regulatórios e as oportunidades de expansão para o setor farmacêutico.

Coordenado pelo presidente da ABAD e da UNECS, Leonardo Miguel Severini, o encontro contou com a participação de Camilla Cavalcante, diretora da Seta Public Affairs; Shelida Barsella Vicentini, diretora da Hypera; Edison Gonçalves Tamascia, presidente da Febrafar; e Paulo Roberto Pompilio, diretor de Relações Institucionais do Assaí.

Na abertura do painel, Severini relembrou que a discussão nasceu dentro da UNECS e esteve entre as pautas prioritárias do varejo organizado ao longo dos últimos anos.

“Quando essa possibilidade surgiu, enxergamos um grande potencial de mercado e também uma perspectiva de redução de preços, gerando benefícios para a população. Quando assumi a presidência da ABAD, me coloquei à disposição para apoiar esse projeto”, afirmou.

Uma discussão que levou 30 anos para avançar

Responsável por apresentar o histórico da proposta, Camilla explicou que a discussão sobre a venda de medicamentos isentos de prescrição (MIPs) em supermercados tramitava há cerca de três décadas no Congresso Nacional, mas encontrava resistência de diversos segmentos.

“A grande guinada veio quando percebemos que precisávamos transformar detratores em aliados. Passamos a defender não apenas a venda de MIPs, mas a instalação de farmácias completas dentro dos supermercados. Quando falamos de farmácias completas, falamos de estabelecimentos submetidos exatamente às mesmas regras das farmácias tradicionais”, explicou.

A estratégia eliminou preocupações relacionadas à concorrência desleal, à segurança sanitária e à presença obrigatória de farmacêuticos responsáveis, levando a nova proposta a ser aprovada por unanimidade no Senado e na Câmara.

Mais conveniência e maior adesão aos tratamentos

Representando a Hypera, Shelida apresentou a visão da indústria sobre as oportunidades geradas pela nova legislação.

Segundo ela, pesquisas realizadas pela companhia mostram que os consumidores enxergam as farmácias como ambientes de compra confiáveis e valorizam a orientação profissional recebida nesses estabelecimentos. “O consumidor gosta de ir à farmácia. Ele associa esse ambiente à saúde, ao cuidado pessoal, à beleza e ao bem-estar. Mesmo em categorias consideradas simples, ainda existe muita necessidade de orientação e informação.”

Para Shelida, a ampliação dos pontos de acesso pode gerar benefícios que vão além dos negócios. “Existe uma enorme oportunidade de melhoria da saúde pública ao fazer com que menos pessoas abandonem seus tratamentos”, pontuou.

Isonomia regulatória e expansão da distribuição

Na visão de Tamascia, presidente da Febrafar, o sucesso da iniciativa depende da manutenção da isonomia regulatória entre todos os participantes do mercado.

“Vamos ter as mesmas regras, as mesmas orientações, os mesmos critérios de armazenamento, refrigeração e cadeia fria que qualquer farmácia já segue hoje. Quando existe isonomia, cada empresa pode construir sua estratégia comercial e competir de forma saudável.”

Tamascia também destacou os benefícios para a distribuição. “Precisamos de distribuidores. Quanto mais distribuidores atuando nesse mercado, melhor para todos os elos da cadeia. O crescimento da concorrência tende a ampliar a eficiência e gerar oportunidades”, frisou.

Ao comentar o avanço das canetas emagrecedoras e dos medicamentos da classe GLP-1, o executivo reforçou que saúde e alimentação caminham cada vez mais juntas. Representando o Assaí, Pompilio destacou que a aprovação da nova legislação reflete mudanças profundas no comportamento dos consumidores.

“Estamos percebendo mudanças drásticas nos hábitos de consumo. Categorias tradicionais vêm perdendo espaço, enquanto produtos ligados à saúde, proteínas e bem-estar crescem de forma acelerada”. Esse apontamento do executivo está totalmente alinhado à pesquisa apresentada pela NielsenIQ sobre saudabilidade (clique AQUI pra saber mais).

Para ele, o grande desafio será integrar alimentação, prevenção e cuidados básicos com a saúde de forma coordenada e responsável. 

Nesse quesito, Camilla fez uma observação importante. Depois de enfatizar que essa novidade abre oportunidades para toda a cadeia de abastecimento, a executiva enfatizou a importância da participação ativa do setor nas futuras discussões regulatórias conduzidas pela Anvisa. “O principal aprendizado desse processo é que os segmentos econômicos precisam participar da formulação das políticas públicas. Quem não participa das discussões corre o risco de apenas receber as decisões prontas”, disse.

O consenso entre os participantes foi de que a nova legislação tem potencial para ampliar o acesso da população a medicamentos, aumentar a concorrência, estimular novos modelos de negócios e criar oportunidades para indústria, varejo, distribuição e consumidores, consolidando um novo capítulo para o mercado farma brasileiro.

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