A ABAD realizou, na manhã desta quinta-feira, 23 de abril, em São Paulo (SP), a terceira reunião do ciclo 2026 do Comitê de Finanças e Lucratividade. O encontro, coordenado por Tatiane Beilfuss e João Paulo Camargo, da Strategicos Group, consolidou os principais temas que serão levados à Convenção ABAD 2026, marcada para o início de junho, em Atibaia (SP).
A abertura foi conduzida pelo CEO da ABAD, Oscar Attisano, seguida pela fala do presidente da entidade, Leonardo Miguel Severini, que destacou a relevância do comitê em um cenário de incertezas econômicas e geopolíticas.
“Esse comitê tem o objetivo de trazer luz para todos os atacadistas. Vivemos um momento conturbado, com oscilações que impactam diretamente a nossa operação, do preço do petróleo às mudanças no comportamento do varejo”, afirmou.
Severini também chamou atenção para fatores externos que pressionam o setor, como o avanço dos marketplaces, a concorrência desigual em função de cargas tributárias distintas e o impacto crescente das apostas online no consumo das famílias.
De Playbook estático à ferramenta estratégica
O principal destaque da reunião foi a evolução do Playbook Finanças, projeto iniciado em 2025 como um material de apoio e que agora se transforma em uma ferramenta digital interativa. Segundo Tatiane Beilfuss, coordenadora do Comitê, a proposta inicial foi completamente ampliada a partir das demandas debatidas ao longo das últimas reuniões.
“No ano passado, tínhamos uma visão mais estática. Agora, evoluímos para um ambiente digital, interativo, com versão mobile, que permite atualizações constantes conforme surgem novos temas, como reforma tributária ou mudanças regulatórias”, explicou a executiva.
A nova estrutura foi desenhada para atender distribuidores de diferentes níveis de maturidade, oferecendo trilhas personalizadas de acordo com a realidade de cada empresa. João Paulo Camargo detalhou os princípios que nortearam o desenvolvimento da ferramenta:
“Para que o Playbook tenha utilidade, ele precisa ser interessante, consumível e, principalmente, útil na execução. Toda a estrutura foi pensada para atingir esses três objetivos”, disse.
Conteúdo completo e acessível
O novo formato organiza o conteúdo em módulos centrais, como gestão de caixa, crédito, margem, estoques, governança e reforma tributária, e permite acesso por três trilhas principais. A proposta é conectar a dor prática do distribuidor com soluções estruturadas, deixando de lado abordagens excessivamente técnicas.
“A gente sabe que o distribuidor sente o problema, mas nem sempre consegue traduzi-lo em termos técnicos. Por isso criamos trilhas que facilitam esse caminho”, explicou Camargo.
Cada módulo inclui diagnóstico, plano de ação (30/60/90 dias), indicadores e ferramentas práticas, como planilhas e checklists aplicáveis imediatamente.
Para otimização dessa plataforma, um dos pontos mais debatidos foi a evolução da ferramenta para um ecossistema integrado de dados, capaz de gerar comparativos de desempenho entre empresas, um desafio histórico do setor.
Romero Cândido de Santana, diretor-executivo da Distribuidora Gama, destacou o potencial desse avanço: “Eu sei o meu número, mas como estou em relação ao mercado? Se tivermos esse comparativo, mesmo que anonimizado, isso gera um valor enorme para a tomada de decisão.”
A possibilidade de integração com sistemas (ERPs) e instituições financeiras também foi discutida. Marcelo Picchi, CEO da Lend Tech, ressaltou que o setor financeiro pode contribuir com dados relevantes. “Temos acesso a informações que podem ajudar no diagnóstico, como nível de endividamento e acesso a crédito. Isso pode enriquecer muito a análise das empresas”, pontuou.
Já André Nigro, vice-presidente da Zooxmart, reforçou a importância da construção de um ecossistema próprio de dados. “A grande força da ABAD está na organização dessas informações. Se conseguirmos estruturar isso de forma integrada, criamos um ativo estratégico para todo o setor”, disse.
Desafio: engajar as associadas
Após apresentar os avanços técnicos do Playbook, a reunião chegou à conclusão de que o maior desafio está na adesão dos distribuidores à ferramenta. Como alertou Santana, ganhar o interesse das empresas associadas é a parte mais difícil. “Se ficarmos somente na parte educacional, poucos irão consumir”, disse enfatizando a relevância da incorporação de indicadores estratégicos na plataforma.
José Luis Turmina, diretor-executivo do Grupo Braveo, também reforçou o ponto, destacando a necessidade de estratégias de ativação: “O conteúdo está excelente, mas como faremos o distribuidor parar um momento para consumir tudo isso que estamos oferecendo? Precisamos conectar com oportunidades reais de negócio.”
Entre as sugestões estão a realização de eventos regionais, parcerias com instituições financeiras e formatos híbridos que combinem conteúdo e geração de negócios.
Tecnologia, IA e maturidade do setor
A reunião também adentrou outros temas relevantes para o setor, a exemplo do uso de inteligência artificial na gestão financeira. Embora reconhecida como tendência, a tecnologia ainda enfrenta barreiras de adoção. Foi o que alertou Daniel Oya, CFO da Lend Tech. “A IA ainda está em uma bolha. Poucas empresas realmente conseguem aplicar. Para grande parte do setor, ela precisa vir embarcada em soluções prontas.”
A discussão reforçou que, antes da adoção de tecnologias avançadas, muitas empresas ainda precisam evoluir em fundamentos básicos de gestão financeira.
Ao final do encontro, os participantes alinharam os próximos passos para apresentação do projeto na Convenção ABAD 2026, com foco em gerar impacto prático para os associados.










