Como tornar a cadeia de abastecimento mais eficiente em um cenário de juros elevados, mudanças regulatórias, pressão por produtividade e consumidores cada vez mais exigentes? Essa foi a provocação central do painel “Abastecer o futuro com eficiência: inovação, automação e colaboração na cadeia de abastecimento”, realizado durante a 45ª Convenção Nacional e Anual do Canal Indireto – ABAD 2026 ATIBAIA.
Mediado por Alessandra Reganati, coordenadora do Comitê Eficiência em Supply Chain da ABAD, o encontro reuniu representantes da Hypera, Mars, Ypê, Grupo Martins, Unilider e Distribuidora Müller para compartilhar experiências práticas e discutir como tecnologia, integração de informações e colaboração entre os elos da cadeia vêm impulsionando ganhos de eficiência operacional.
Na abertura do painel, Alessandra destacou que o tema foi escolhido por dois motivos principais: a velocidade com que novas tecnologias surgem e a necessidade crescente de as empresas utilizarem o supply chain como alavanca para sustentar seus planos estratégicos de crescimento.
“Quando olhamos para a quantidade de novas tecnologias e soluções aparecendo, não tem como não repensar a forma como fazemos supply chain. Muitas oportunidades estão surgindo e este é o momento de repensar. Ao mesmo tempo, vemos cada vez mais empresas precisando conduzir iniciativas de supply chain para sustentar seus planos estratégicos, aumentar produtividade e garantir competitividade”, afirmou.
A executiva também chamou atenção para desafios que já fazem parte da rotina das empresas, como a elevada taxa de juros, a pressão sobre estoques, as mudanças nas expectativas de nível de serviço dos clientes, a reforma tributária, o debate sobre o fim da escala 6×1 e a regulamentação do frete mínimo.
Segundo ela, diante desse contexto, existem quatro alavancas de eficiência que podem ser utilizadas em diferentes níveis: planejamento, operação de centros de distribuição, atendimento ao cliente e eficiência na entrega passam a ser estratégias fundamentais para o crescimento sustentável dos negócios.
Cases mostram caminhos para ganhar eficiência
Ao longo do painel, os convidados apresentaram iniciativas que vêm transformando suas operações e gerando ganhos concretos de produtividade, serviço e rentabilidade.
Representando o Grupo Martins, Rubens Batista mostrou como a empresa vem utilizando inteligência artificial para melhorar a experiência dos clientes e aumentar a produtividade da equipe comercial. A companhia desenvolveu assistentes virtuais capazes de apoiar representantes comerciais em atividades como consulta de pedidos, prazos de entrega, boletos e atendimento a demandas operacionais. Segundo ele, a rápida adesão dos usuários demonstrou que a tecnologia estava resolvendo problemas reais do negócio.
A utilização de inteligência artificial também foi destaque no case apresentado por Badger Barcelos Hentzy, da Unilider. A empresa desenvolveu a assistente virtual Lia, responsável por concentrar informações operacionais e comerciais para a equipe de vendas. Outro projeto relevante foi a automação dos processos de análise de crédito, permitindo avaliações em poucos minutos e contribuindo para reduzir significativamente os índices de inadimplência da companhia.
Juliana Oliveira, da Mars, compartilhou a evolução dos processos de planejamento da empresa, que passou a integrar informações de sell in, sell out e sazonalidade para aprimorar projeções de demanda. A companhia também investiu em soluções de planejamento logístico e roteirização apoiadas por algoritmos e inteligência artificial, ampliando a eficiência operacional e a visibilidade sobre toda a cadeia, do planejamento à entrega.
Já Rafael Colonhezi Gonçalves, da Hypera, apresentou iniciativas voltadas à redução de rupturas, melhoria dos níveis de estoque e aumento da eficiência financeira. Entre os destaques estiveram o compartilhamento estruturado de informações com clientes, a utilização de pedidos sugeridos para melhorar o abastecimento e a criação de equipes dedicadas exclusivamente à eficiência operacional e logística.
O tema automação ganhou protagonismo nas apresentações de Mário Neis, da Distribuidora Müller, e Alessandro Hammoud, da Ypê.
Na Müller, a automação surgiu como resposta à dificuldade de contratação de mão de obra e à necessidade de sustentar o crescimento previsto pela empresa. Segundo Neis, a tecnologia deixou de ser uma solução restrita às grandes companhias e vem se tornando cada vez mais acessível aos distribuidores de médio porte.
Na Ypê, Hammoud apresentou a jornada de transformação do centro de distribuição automatizado da companhia, atualmente considerado um dos mais modernos da América Latina. O projeto trouxe ganhos relevantes de capacidade, acuracidade de estoque, segurança operacional e eficiência logística, além de ampliar a disponibilidade de produtos para atender o crescimento contínuo da empresa.
Eficiência como vantagem competitiva
Ao encerrar o painel, o presidente da ABAD e da UNECS, Leonardo Miguel Severini, destacou que o setor vive um momento de forte pressão decisória, impulsionado por mudanças regulatórias, transformações tecnológicas e novos padrões de relacionamento com os clientes.
Segundo ele, o debate mostrou como a cadeia de abastecimento evoluiu ao longo das últimas décadas e como a busca por eficiência continuará sendo um dos principais fatores de competitividade para atacadistas, distribuidores e indústrias nos próximos anos.
O painel reforçou que não existe uma única solução para todos os desafios do supply chain. Mas deixou clara uma mensagem: planejamento, colaboração, tecnologia e capacidade de adaptação serão elementos fundamentais para abastecer o futuro com mais eficiência, agilidade e competitividade.










