Projeto Futuro Consciente pode receber recursos incentivados via lei federal

Mediado pelo seu coordenador, Alessandro Dessimoni, o Comitê ESG da ABAD realizou um painel na 45ª Convenção Nacional e Anual do Canal Indireto – ABAD 2026 ATIBAIA com representantes da indústria e do setor atacadista distribuidor focados em debater temas relacionados aos aspectos ambiental, social e de governança que batem à porta do mercado.

A principal novidade do evento foi anunciada por Gustavo Fonseca, da Baga Aprendimentos, que coordena o pilar ambiental do Comitê. Trata-se da aprovação pelo Ministério do Meio Ambiente do projeto Futuro Consciente, que a partir de agora está apto a receber recursos incentivados pela Lei de Incentivo à Reciclagem (LIR, nº 14.260/2021). A legislação permite que as empresas tributadas pelo Lucro Real destinem de até 1% do IRJP a projetos focados em reciclagem e logística reversa aprovados previamente.

Com isso, a expectativa de Camargo é expandir a iniciativa elaborada pelo Comitê para atender a legislação ambiental estabelecida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) no que diz respeito ao descarte de resíduos e à responsabilidade compartilhada. O projeto, implementado de maneira piloto em Porto Alegre por meio de patrocínio da associada Braveo, utiliza a capilaridade do setor para viabilizar a instalação de Pontos de Entrega Voluntária de material reciclável (PEVs) no varejo.

“Com o investimento do IRPJ a gente espera que o Futuro Consciente salte para 1.500 pontos de coleta, 15 cidades em 10 estados brasileiros, abrangendo 200 cooperativas e 1.200 cooperados”, contabilizou Fonseca.

Presente no painel, o executivo da Braveo, Ricardo Botelho, disse que o Futuro Consciente vai além da gestão de resíduos. “É um projeto de engajamento, de comunicação no ponto de venda, de educação ambiental”, disse ele completando que a empresa agora pretende expandi-lo na própria capital gaúcha e também em outras cidades onde possui operações. Entre outras iniciativas focadas em sustentabilidade da Braveo, ele destacou a realização do Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) e a compra de eletricidade no Mercado Livre de Energia com certificado de fonte limpa e renovável.

A transição energética também compôs a fala do convidado da Ypê, Luiz Gustavo Pires Camargo. Ele explicou que essa mudança já está acontecendo impulsionada pelo mercado, seja pressionada por contratos, regulações ou reputação. Segundo ele, o maior risco hoje é esperar muito para escolher qual tecnologia limpa adotar. “Não se deve esperar a solução perfeita e sim priorizar a viabilidade. A decisão vem antes dessa escolha”, citando como opções o gás, o biometano ou o hidrogênio verde.

“Temos caminhões a gás em Salto e Amparo (municípios do interior paulista) que tem payback de um ano”, disse ele, explicando que a escolha tem que ser economicamente viável na hora de testar, implantar ou escalar. 

Para Marcos Andrade, da Mercedes-Benz do Brasil, o biocombustível deve se tornar a solução para o abastecimento de caminhões no Brasil, pelo país ter tradição no agronegócio, tecnologia, geografia e regras nesse sentido. Entretanto, embora invista em veículos elétricos, a Daimler Truck – divisão da Mercede-Benz onde atua e é a responsável por caminhões e ônibus – continuará investindo em motores a diesel mais eficientes e menos poluentes no mercado global.

“Mas uma dica para as empresas já reduzirem a suas emissões agora é a renovação da frota”, explicando que a média de idade da frota brasileira de caminhões é superior a 20 anos e desde que se tornou signatária do Acordo de Paris, de 2015, a Mercedes-Benz passou a adotar tecnologias que tornam os motores a diesel mais limpos, diminuindo emissões de poluentes como o MP (material particulado/fuligem) e gases de efeito estufa.

O mediador do painel, Alessandro Dessimioni, também destacou o pilar social durante o evento. Foi exibido um vídeo do projeto Vidas Preciosas, parceria do Instituto ABAD com o Cricket Brasil que leva educação e muda vidas por meio do esporte (clique AQUI para saber mais sobre o projeto).

Além disso, um tema recente que tem agitado as áreas de Recursos Humanos das atacadistas e distribuidoras foi abordado: a reedição da portaria sobre o adicional de periculosidade para trabalhadores que utilizam motocicleta para deslocamento. Para elucidar sobre a questão, Dessimioni contou com a experiência do vice-Presidente da ABAD e anfitrião do painel, Alexandre Segala, que explanou como a Segala Alimentos tem gerenciado a mudança entre seus vendedores.

“O trabalho do promotor de vendas não é em cima da moto, é no ponto de venda ou pilotando o WhatsApp, mas vamos ter que provar isso e vai demorar, então o meu conselho é como isso está vigorando hoje nós devemos pagar esses 30% de periculosidade e ir buscar esse custo melhorando a eficiência”, disse ele.

O Comitê de ESG foi o segundo comitê da ABAD a fazer sua apresentação na edição 2026 da Convenção.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *