Segundo a mais recente edição do Radar Scanntech, o consumo em agosto de 2025 registrou crescimento de +1,1% em unidades em relação a julho, mas uma queda de -4,4% frente ao mesmo mês de 2024. Especialistas apontam que o fator climático foi determinante: enquanto em 2024 as temperaturas mais elevadas impulsionaram categorias sensíveis ao calor, neste ano o clima mais ameno reduziu a demanda, especialmente no setor de bebidas, que sozinho respondeu por 41% da retração em unidades.
Nota-se, então, que a cesta de bebidas foi a mais afetada, com queda de -7,3% em unidades e de -1,3% em faturamento em relação a 2024. Só as alcoólicas representaram 22% da retração, enquanto as não alcoólicas responderam por mais de 10%. Já no comparativo com julho, quando agosto trouxe temperaturas mais altas, essas mesmas categorias foram responsáveis pelo crescimento observado.
Outros segmentos, como biscoitos e chocolates, também mantiveram retrações ao longo do ano.
Entre os formatos, os supermercados mostraram resiliência, com queda de 2,8% em unidades, mas crescimento de 4,4% em faturamento. Já os atacarejos sentiram mais os efeitos do consumo retraído, registrando -7,2% em volume e -0,9% em receita.
Regionalmente, o Norte teve a maior retração em unidades, compensada por aumentos de preços, enquanto o Nordeste mostrou menor pressão inflacionária, mas também crescimento mais modesto em faturamento.
Impactos do tarifaço
Além do clima, o aumento da taxa de exportação para os Estados Unidos impactou diretamente carnes e café, reduzindo o volume exportado e aumentando a oferta interna. Com mais produtos disponíveis no mercado doméstico, os preços recuaram: -2,3% no frango, -2,1% no café e até os bovinos, que vinham em alta de mais de 20% no ano, caíram -0,7%.
Mais insights
Somado à insights da consultoria McKinsey, o Radar Scanntech relata que, apesar do Dia dos Pais, agosto acendeu um alerta para empresas de bens de consumo e varejo. A queda de -4,4% em unidades foi superior à tendência já observada no acumulado até julho (-0,7%), revelando que o consumidor está restringindo compras mesmo em ocasiões relevantes. O faturamento só se manteve positivo graças ao aumento de preços acima de 7,3% em relação a 2024, bem acima do IPCA de 5,2%. Categorias de alto giro, como bebidas e higiene & beleza, além do canal atacarejo, concentraram a retração. Esse cenário reforça a necessidade de estratégias mais assertivas de sortimento, preços e promoções, além de iniciativas que ofereçam opções econômicas em categorias discricionárias.
Top Marcas Varejo de Vizinhança
A Scanntech também assina um estudo exclusivo para a nova edição da Revista Distribuição. O Top Marcas Varejo de Vizinhança analisou mais de 42 mil varejos de até nove checkouts em sete regiões auditadas revelando as três marcas mais comercializadas em 100 categorias de produtos. Clique AQUI para acessar.











