Dados, processos e automação estão transformando o atacado distribuidor

Durante a programação da manhã da Convenção Nacional do GAJS 2025, o Painel de Tecnologia se destacou como um dos momentos mais densos do evento. Mediado por Pedro Mello, da diretoria do GAJS, o debate reuniu provedores de tecnologia e distribuidoras para discutir, de forma prática, como ferramentas digitais, automação, dados e processos integrados estão redefinindo o desempenho do atacado distribuidor.

Dividido em três blocos, o painel mostrou que a transformação digital não é sobre sistemas isolados, mas sobre cultura, coordenação e estratégia.

Bloco 1 – Vender mais com menos risco

O primeiro bloco contou com Marlon Trovão, da Cado, e Carolina Avelino, da Bidfood, que apresentaram um caso concreto de como reestruturar processos internos pode destravar resultados significativos. 

Trovão destacou que boa parte das barreiras ao crescimento nasce da falta de coordenação entre áreas. Para ele, empresas que operam com sistemas desconectados, metas desalinhadas e processos manuais tendem a transformar o crescimento em atrito. A Cado iniciou seu trabalho na Bidfood mapeando toda a jornada, desde o cadastro até a análise de crédito, e encontrou gargalos que comprometiam velocidade e segurança.

As mudanças incluíram automação do cadastro, centralização de informações e adoção de uma análise de crédito mais robusta, baseada em dados regulados. O impacto foi expressivo: o prazo de liberação de crédito caiu de 48 horas para até oito horas, permitindo uma operação mais ágil e transparente. 

Carolina reforçou que, para os distribuidores, a análise de crédito é uma das maiores fontes de insegurança, e que o uso da ferramenta reduziu inadimplência, acelerou vendas e favoreceu a expansão regional. O próximo passo, já em implementação, é o uso de inteligência artificial para apoiar vendedores e automatizar etapas hoje dependentes de aprovação manual.

Bloco 2 – Dados que geram valor

O segundo bloco abordou um dos maiores desafios do mercado: a capacidade de transformar dados em vantagem competitiva. Participaram Ana Paula Melo, da Scanntech, e Celso Tozzo, da Ludovico Tozzo Distribuidora. Ana explicou que os distribuidores, em geral, lidam com relatórios distintos de diversas indústrias, com indicadores não padronizados e prioridades desconectadas, o que torna a operação ineficiente e diminui a percepção de oportunidade.

A Scanntech, nessa solução, trabalha com três pilares principais: visão multi-indústria, customização por operação e treinamento contínuo. Tozzo demonstrou como essa visão única possibilita análises antes inacessíveis, permitindo comparar o desempenho do distribuidor com o do mercado, identificar categorias com maior potencial e apontar onde estão as melhores oportunidades. O painel destacou ainda um case da Rede Celeiro, que alcançou crescimento próximo de 50% em determinadas categorias após amadurecer o uso da ferramenta. “Não existe milagre. Tecnologia é jornada, cultura e consistência”, reforçou Ana Paula.

Bloco 3 – Processos que potencializam tecnologia

O terceiro bloco, com Giuseppe Lotto, da Temsi, e Marcelo Marinho, da Rio Quality, trouxe a perspectiva logística, área que, segundo Lotto, vive hoje uma transformação semelhante à que a indústria enfrentou nos anos 70 e 80, com a automação se tornando inevitável. Ele destacou que a logística deixou de ser apenas operacional para se tornar parte central da experiência do cliente, e que muitos investimentos falham porque avançam na tecnologia antes de avançarem na maturidade dos processos.

Marinho, então, apresentou o case da Rio Quality, que começou com um diagnóstico completo e encontrou treze iniciativas de baixo investimento que poderiam gerar ganhos imediatos. Em seis meses, a empresa alcançou quase dois milhões de reais por ano em economia, engajando o time e preparando o terreno para um segundo ciclo, este sim com investimentos mais robustos em automação. A abordagem combinou qualidade, produtividade e melhoria contínua, reforçando que eficiência nasce de método, não apenas de ferramentas.

O Painel de Tecnologia deixou claro que a digitalização no atacado distribuidor já não é mais tendência, é uma condição para competir. E como ressaltou o mediador Pedro Mello ao encerrar o debate, “toda mudança tira a empresa da zona de conforto, mas é justamente nela que surgem as maiores oportunidades de transformação”.

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