Crescimento travado pela política: Luis Artur Nogueira analisa a economia brasileira

O Momento Econômico do Encontro de Valor ABAD 2025 foi conduzido pelo economista e jornalista Luís Artur Nogueira, que apresentou uma palestra dinâmica, combinando dados econômicos, geopolítica, humor e enquetes em tempo real para envolver o público e provocar reflexões sobre o cenário nacional.

Logo no início, uma provocação: “Se fosse possível importar um líder político estrangeiro para governar o Brasil, quem você escolheria?” Entre os nomes listados estavam Cristina Kirchner (Argentina), Kim Jong-un (Coreia do Norte), Nicolás Maduro (Venezuela), Vladimir Putin (Rússia) e Benjamin Netanyahu (Israel). A votação interativa e descontraída serviu de introdução para análises mais profundas.

Em seguida, Nogueira destacou um ponto central: o Brasil, apesar de estar entre as dez maiores economias do mundo, continua crescendo abaixo da média global. Para ele, a explicação não está na economia, mas na política. “O Brasil cresce menos que o mundo porque a política atrapalha”, afirmou.

O economista apontou o controle do orçamento nacional por parte do chamado “centrão”, que há anos limita a autonomia do Executivo, independentemente do presidente eleito. Segundo ele, a saída para um crescimento sustentável passa pela redução dos gastos públicos e pela valorização do setor produtivo. “Quem gera emprego e renda é o setor privado, não o governo”, reforçou.

Ao projetar as eleições de 2026, Nogueira apresentou possíveis tendências para os campos da direita e da esquerda. Ele destacou temas como escândalos no INSS, alta dos alimentos, segurança pública e ampliação de programas sociais como fatores que podem influenciar o voto. “Ainda há muita água para rolar antes da definição sobre quem comandará o país no próximo mandato”, disse.

Brasil segue atrativo, apesar dos desafios

Mesmo com as dificuldades internas, Nogueira acredita que o Brasil permanece atrativo no cenário global por seu baixo risco geopolítico, riqueza em recursos naturais, grande mercado consumidor e histórico de eleições regulares. Ele elogiou o fortalecimento das relações comerciais com a China e considerou positiva a postura pragmática do governo atual no comércio exterior.

Outro ponto de destaque foi a reforma tributária, que tem sido acompanhada de perto por entidades como ABAD e UNECS. Para o economista, a proposta representa uma oportunidade importante de simplificação, mas deve exigir adaptações por parte do setor de distribuição, especialmente no que diz respeito à reorganização geográfica das operações.

Consumo interno e riscos emergentes

Nogueira projetou um cenário de manutenção do consumo interno aquecido, impulsionado por programas sociais ampliados, reajustes salariais acima da inflação e isenção do Imposto de Renda. No entanto, fez um alerta: parte dessa renda pode estar sendo drenada pelas apostas online, o que pode comprometer produtividade e poder de compra no médio prazo.

Com uma abordagem crítica, mas otimista, Nogueira finalizou sua fala com uma provocação: “O Brasil é maior do que qualquer governo. Quem faz o país crescer é o setor privado”.

A programação do Encontro de Valor ABAD 2025 ainda contou com painéis sobre política, mercado e gestão, além de homenagens e premiações.

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