Na palestra que encerrou os painéis estratégicos do Encontro de Valor ABAD 2025, realizada nesta segunda-feira, 17 de novembro, o publicitário e Chief Creative Officer da Accenture, Eco Moliterno, provocou o público a refletir sobre o papel da inteligência artificial no presente e no futuro da gestão, do varejo e da experiência de consumo.
Eco começou sua fala com uma retrospectiva da evolução dos algoritmos, de simples mecanismos descritivos a ferramentas diagnósticas e preditivas, e destacou o impacto dessa transformação na jornada do consumidor. “O algoritmo que era descritivo passou a ser diagnóstico, e hoje é preditivo. Estamos vendo a morte gradual da tela padrão: tudo é personalizado, e isso redefine como nos conectamos com marcas e produtos”, disse.
Com a pandemia acelerando a digitalização dos negócios, ele explica que entramos na era da relevância: “Não basta mais ter o melhor produto ou serviço. Hoje, quem fizer parte da vida das pessoas é quem vai prosperar. A experiência virou parte de tudo, e o relacionamento digital precisa ser mais humano e emocional.”
Eco apontou que deixamos para trás a era da automação (com a tecnologia no centro, operada por humanos) e entramos na era da autonomia (com o humano no centro, operando tecnologias que o potencializam). Segundo ele, isso muda completamente a lógica do engajamento e do consumo.
Isso porque a IA deixou de ser ferramenta e virou companhia. “Mais de 75% das atividades serão autônomas no futuro. E no Brasil, já somos o terceiro país que mais utiliza o ChatGPT, com 140 milhões de mensagens trocadas diariamente”, pontuou.
Essa transformação, segundo Moliterno, culmina no a-commerce (autonomous commerce), substituindo o e-commerce tradicional. Ele explicou que os “agentes de compra” operados por IA farão análises completas sobre produtos, reputação, avaliações e histórico de consumo em segundos, indicando ao consumidor a melhor escolha.
O que o especialista diz é que a IA analisa tudo o que foi publicado na internet sobre um produto em segundos. “Ela conhece seu comportamento de consumo melhor do que você. E ela não cansa, não esquece e não se distrai”, declarou.
Apesar da rapidez nas mudanças, ele tranquilizou o setor ao destacar que o varejo ainda é uma das indústrias menos suscetíveis à disrupção total. E que o setor atacadista distribuidor tem um ‘core’ profundamente humano o que faz om que a IA apenas o potencialize, sem o substituir.
Ao fim da palestra, Eco reforçou o papel estratégico das empresas em moldar essa nova era com responsabilidade e empatia: “A tecnologia só é transformadora quando está a serviço das pessoas.”
Esse foi o último painel estratégico do Encontro de Valor ABAD 2025, que também debateu mercado, política e economia. Além disso, também foram apresentados o estudo Categorias em Destaque, da NielsenIQ, a premiação Fornecedor Nota 10 e uma sessão de homenagens a lideranças, parceiros e executivos do setor.











