A palestra “Da Estratégia à Execução”, apresentada na Convenção Nacional do GAJS 2025 por Raduán Melo, especialista em gestão e fundador da PWR Gestão, marcou um dos momentos mais reflexivos do evento. Ao introduzir o palestrante, o presidente do GAJS, Franco Astória, destacou um ponto central para qualquer empresário: “Saber planejar é importante, mas executar faz toda a diferença.”
Com essa premissa, Melo conduziu uma conversa franca sobre os desafios econômicos atuais, o comportamento das lideranças e os motivos que levam empresas e pessoas a fracassarem ou prosperarem.
O especialista iniciou traçando um retrato da economia brasileira: ao mesmo tempo em que o país apresenta indicadores positivos, como desemprego baixo e crescimento moderado, convivemos com dificuldades estruturais graves.
Ele citou como exemplo a Selic ainda muito alta, que pressiona margens do setor de distribuição: “Trabalhamos entre fornecedor e cliente. Recebemos um preço do fornecedor, mas nem sempre conseguimos repassar ao cliente final”, disse.
Segundo Melo, o cenário alterna entre boas perspectivas e fatores que travam o crescimento como mão de obra escassa e custos operacionais elevados.“Podemos ter problemas, mas o avião não vai cair. Só teremos turbulência”, tranquilizou.
Em um dos momentos mais contundentes de sua apresentação, Raduán provocou os líderes a abandonarem o otimismo irreal, que ele considera perigoso em ambientes de incerteza. “Vivemos uma era em que queremos fugir da realidade nua e crua. A ilusão coletiva de que tudo vai dar certo é sedutora, mas destrutiva.”
Para fundamentar esse ponto, Melo apresentou o Paradoxo de Stockdale, que mostra que não são os otimistas que sobrevivem aos momentos mais difíceis, mas sim aqueles que combinam fé no futuro com brutal honestidade sobre o presente. “No mundo empresarial é igual: o otimismo vazio frustra e gera desistência. A liderança precisa enxergar exatamente onde está e enfrentar o que é real”, esclarece.
Estratégia, estrutura e recursos
Segundo o palestrante, a estratégia responde a duas perguntas centrais: para onde ir e por onde começar. Porém, só se sustenta quando define a estrutura adequada (pessoas, processos e infraestrutura) e os recursos necessários (tempo, dinheiro e energia).
Mesmo assim, muitos planos falham. E Melo afirma que o principal motivo não é técnico. Segundo ele, o fracasso surge pela dificuldade do profissional e do líder de se reinventar. “Nosso ego domina a situação”, disse destacando que o verdadeiro antagonista dos empreendedores não é o mercado, o governo, a legislação ou a mão de obra, mas sim eles próprios.
Raduán, então, detalhou três mecanismos pelos quais o ego compromete resultados:
- Zona de conforto – A falsa sensação de que, um dia, haverá uma “linha de chegada”, onde o esforço deixará de ser necessário. “Essa linha não existe. A vida real exige empenho contínuo”, disse.
- Atalho – A crença de que existe um caminho mais fácil ou que se “merece” uma conquista sem o devido esforço. “Não há genialidade espontânea. Trabalhe”, afirmou.
- Vaidade – A busca por reconhecimento constante, que distrai a liderança e compromete o foco.
Melo criticou, ainda, a cultura atual que associa felicidade à fuga do desconforto e desgtacou que o sofrimento com propósito (não o sofrimento indevido) é o que gera satisfação real e duradoura.
Para encerrar sua apresentação, o palestrante usou, então, uma frase de efeito: “Leve o maior peso que você pode.”
Essa foi apenas uma das diversas palestras e painéis apresentados durante a Convenção Nacional do GAJS 2025. A programação ainda contou com apresentações sobre sucessão, inovação e tecnologia.











