Ricardo Amorim enfatiza as transformações geopolíticas em palestra inaugural

Com dados históricos que foram da balança comercial ao desemprego, passando pelo Produto Interno Bruto (PIB) e pelo salário médio do brasileiro, o economista Ricardo Amorim prendeu a atenção de centenas de pessoas que assistiram à palestra “Brasil em transformação: tendências econômicas e estratégias para um mercado cada vez mais desafiador”, na noite da abertura oficial da 45ª Convenção Nacional e Anual do Canal Indireto – ABAD 2026 ATIBAIA.

Partindo do mote transformação, seja sob o viés tecnológico, demográfico ou geopolítico, Amorim foi do distante ano de 1973, desde a crise do petróleo, à criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instituição que, segundo ele, seria uma das responsáveis pelo boom do agronegócio brasileiro, um dos vetores da economia nacional nos anos subsequentes.

“Se não fosse essa crise internacional do petróleo, a Embrapa não teria tido o apoio que teve para levar o Brasil até o lugar de segundo maior exportador do agronegócio, que foi ano passado, e este ano será o primeiro”, disse ele, destacando também o etanol e o Proálcool (Programa Nacional do Álcool, instituído em 1975) e a relevância dessa tecnologia de biocombustível em um momento como o atual, com a transição energética em pauta.

Amorim também destacou a importância do País no que se refere ao petróleo, com a exploração do pré-sal e sua posição como quinto maior exportador de petróleo do mundo. “Ano passado foi o produto que mais exportamos depois da soja e este ano, em valor, será o primeiro devido ao preço”, pontuou, entretanto, que o país exporta óleo bruto e importa refinado.

De acordo com o economista, a soberania de uma nação se tornou ainda mais atrelada ao mercado do petróleo na era Trump, em que instituições perdem valor, citando as ameaças do presidente dos Estados Unidos à Groenlândia, o que, segundo ele, invalida instituições como a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

“Vivemos em um mundo de incerteza no qual o Trump não quer que se identifique qual será o próximo passo dele. Os caras estão perdidos, a regra do jogo agora muda toda semana”, destacou, acrescentando que, embora tudo isso tenha se acentuado com Donald Trump, essa reviravolta teve início com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em mandatos anteriores.

Entretanto, Amorim destaca que pelo menos o Brasil está acostumado a seguir em situações de instabilidade. “O mundo ficou mais parecido com aquilo que sempre fizemos: o planejamento de curto prazo. A gente foi treinado a jogar esse jogo há pelo menos 40 anos. Desenvolvemos o que o mundo todo precisa: a capacidade de adaptação”, lembrou, ressaltando que a economia brasileira, assim como a de toda a América Latina, vivencia um ciclo de alta.

De acordo com ele, é preciso aproveitar essa oportunidade porque, segundo dados que pesquisou desde 1900, esses ciclos de alta duram, em média, sete anos. “Falam que o Brasil faz o voo da galinha, mas eu acho que fazemos o voo da pipa; é o vento externo que nos ajuda”, metaforizou.

Para o público presente, sua dica sobre como aproveitar os eventos externos e a capacidade de adaptabilidade brasileira é investir em Inteligência Artificial para fidelizar clientes e conseguir transformar marketing em vendas.

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