Sustentabilidade na estratégia dos negócios é uma demanda de mercado

Prestes a completar três anos de existência, o Comitê de ESG da ABAD celebrou suas conquistas e debateu riscos e oportunidades relacionados aos aspectos ambiental, social e de governança durante o painel “ESG que transforma as pessoas, a sustentabilidade e os negócios”, realizado dia 17 de junho durante a 44ª Convenção Nacional e Anual do Canal Indireto.

“A estratégia de sustentabilidade deve sempre fazer parte dos nossos negócios, pois essa pressão vem da cadeia e do mercado”, afirmou, na abertura do painel, o coordenador do Comitê ESG e líder do pilar Governança, Alessandro Dessimoni, mediador da plenária. Entretanto, o sócio da Dessimoni & Blanco Advogados citou a possibilidade de ocorrerem adaptações na temática devido a questões geopolíticas, como o posicionamento do governo norte-americano contrário às políticas de diversidade, equidade e inclusão. “Mas a nossa crença é que esse é um processo de crescimento”, ponderou.

“O único futuro possível é o consciente”, afirmou o coordenador do Pilar Ambiental do Comitê, Gustavo Fonseca, após apresentar as duas prioridades do grupo nesta frente em 2025: a descarbonização das frotas e as embalagens pós-consumo. O desafio da descarbonização vai começar realizando um Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) com a participação de 70 associadas. Já a questão das embalagens está sendo tratada por meio do projeto “Futuro Consciente – Reciclando por um mundo Melhor!”, uma solução modular de impacto socioambiental positivo interliga três braços da cadeia: distribuidor, varejo e cooperativa.

Desenvolvido pela ABAD em parceria com a Baga Aprendimentos, empresa fundada por Fonseca, o Futuro Consciente apresentou case da associada Braveo, que aderiu à iniciativa por meio da sua distribuidora Oniz, de Porto Alegre. “É um projeto pequeno, mas esse corredor com 180 coletores de recicláveis que disponibilizamos é uma maneira de engajar os nossos clientes e o varejo, é um multiplicador dessa cultura sustentável”, disse o CEO da Oniz, Ricardo Botelho”.

O Pilar Social representado na plenária por Andréia Alves, do Instituto ABAD, pelo head de ESG da Diageo, Gabriel Marin Prudlik, e pelo seu coordenador do comitê, Hugo Bethlem, da organização Capitalismo Consciente, que enfatizou a revisão feita pelo grupo em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU que mais conversam com a indústria do atacado e da distribuição.

Além disso, ele abordou as duas principais propostas da frente social no ano: a expansão do programa “Vidas Preciosas, uma tacada de sucesso”, que promove a inclusão de jovens de baixa renda por meio do esporte cricket, e a criação de um programa de capacitação e empregabilidade para Jovens e 50+ na cadeia de abastecimento.

Nessa linha, foi apresentado como case de sucesso o “Learning for Life”, que nasceu na Diageo do Brasil e se tornou uma iniciativa global da companhia. “A gente já capacitou mais de 31 mil pessoas, conseguindo atingir 47% das mulheres em um setor majoritariamente masculino”, explicou Prudlik, lembrando que objetivo é expandir essa iniciativa a outras associadas para atingir mais e mais pessoas.

Para fechar a abordagem social, Bethlem completou com um recado aos presentes: “Essas propostas dependem exclusivamente de vocês, se nós não tivermos o acolhimento dos jovens e dos 50+ com oportunidade de trabalho, tudo isso que estamos fazendo não vai tirar as pessoas da pobreza, e eu queria lembrar que, em português ESG quer dizer ‘É Sobre Grana’.”

Governança

Eliane Freitas, do Grupo Preço Baixo, e Alexandre Wiggers, da Condor, foram os convidados a expor como duas iniciativas de governança corporativa têm impulsionado o crescimento para garantir a perenidade de seus negócios, diferentes em características, idades e geografias: a Condor é uma indústria de Santa Catarina fundada em 1929 e o Preço Baixo é uma rede atacadista da Paraíba com duas décadas de existência. Para ambos, o processo não foi fácil, foi trabalhoso e exigiu resiliência e disciplina, mas valeu a pena. 

“Está claro pelos exemplos dados que é uma questão cultural, de propósito, mas enquanto as empresas e os empresários não entenderem o ganho que vai se obter com a governança, vão implantar a governança por um mero dever de casa. O recado que eu dou é que os empresários entendam que esse processo é benéfico para os seus negócios”, concluiu o presidente da ABAD Leonardo Miguel Severini, anfitrião do painel.

ACESSE a galeria para ver as fotos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *