BC reduz previsão de crescimento do PIB em 2019 para 2%

Corte vem em linha com as alterações que vêm sendo promovidas por muitas instituições financeiras e consultorias econômicas em suas projeções

O Banco Central (BC) revisou para baixo sua estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2019, para 2%, conforme o Relatório Trimestral de Inflação de março. No documento de dezembro passado, a projeção era de uma expansão de 2,4% para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano. O corte vem em linha com as alterações que vêm sendo promovidas por muitas instituições financeiras e consultorias econômicas em suas projeções.

A autoridade monetária destacou que os indicadores recentes da atividade econômica apontam um ritmo aquém do esperado, mas complementou que a economia brasileira segue em processo de recuperação gradual. O BC avalia que o mercado de trabalho mostra também tendência de recuperação, em linha com a evolução da atividade econômica, e reforçou avaliação do Comitê de Política Monetária (Copom) de que os núcleos de inflação se encontram em níveis apropriados ou confortáveis, apesar de destacar que houve aceleração desses indicadores no trimestre encerrado em fevereiro.

Segundo o BC, a continuidade da recuperação gradual da atividade econômica e o cenário benigno para a inflação tendem a beneficiar o processo, em curso, de retomada do mercado de trabalho. Contudo, “há espaço para ganhos de produtividade do trabalho, o que sugere que a melhora dos indicadores, em especial da taxa de desocupação, continue a ocorrer em ritmo moderado”.

CONSUMO – O consumo das famílias deve crescer pelo terceiro ano consecutivo em 2019 e, com peso de cerca de 60% na atividade, vai puxar mais uma vez a alta do Produto Interno Bruto (PIB). Mas, em um contexto de lenta recuperação e alta informalidade no mercado de trabalho, o avanço deve repetir ou ficar próximo à taxa de 2018, que subiu 1,9%. Também por isso, a esperada aceleração da atividade para níveis que recuperem as perdas da crise ainda não virá agora. A avaliação média do mercado, captada pelo boletim Focus, do Banco Central, agora aponta para crescimento de 2% em 2019 após quatro baixas consecutivas, convergindo com as estimativas mais pessimistas de consultorias e instituições financeiras.

EMPREGO – O mercado de trabalho brasileiro criou 173.139 vagas formais em fevereiro. O número, resultado de 1.453.284 admissões e de 1.280.145 desligamentos, é o mais alto para o mês desde 2014 e o 6º melhor desde o início da série histórica, em 1992. No acumulado do ano, foram criados 211.474 empregos. Os números são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério da Economia, e estão sem ajuste — não consideram informações entregues pelas empresas fora do prazo.

CONFIANÇA – A confiança do consumidor registrou em março a menor leitura desde outubro de 2018, apontou a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) recuou 5,1 pontos em relação a fevereiro, para 91 pontos. Com isso, acumulou perda de 5,6 pontos nos dois últimos meses, 42% da alta acumulada entre setembro de 2018 e janeiro de 2019, notou a fundação. Em março, tanto as avaliações sobre o presente quanto às expectativas em relação aos próximos meses pioraram.

INFLAÇÃO – Pressionada por alimentos in natura, a prévia da inflação oficial avançou mais que o previsto por analistas em março e aproximou-se do centro da meta do Banco Central, além de ter gerado revisões para cima na expectativa do índice fechado do mês. Apesar disso, ainda prevalece a percepção de uma inflação confortável no ano, corroborada pelo baixo nível dos núcleos de inflação, medidas que retiram itens voláteis da conta. Conforme divulgado pelo IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,54% em março, acelerando em relação ao apresentado no mês anterior (0,34%).

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