Crescimento real do setor em julho é de 10,5% sobre junho

Revertendo resultados de junho, setor apresenta alta nos números nominais e também nos deflacionados

Depois de queda em todos os indicadores em junho, o resultado nominal do faturamento do setor em julho ficou positivo em 10,71% frente ao mês anterior, e frente a julho de 2018 o aumento foi de 4,11%. Já o faturamento real de julho na comparação com junho cresceu 10,5%, enquanto na comparação com julho de 2018 o avanço foi de 0,86%. Os dados fazem parte da pesquisa mensal da ABAD, apurada pela FIA (Fundação Instituto de Administração) com um grupo representativo de empresas.

Em parte, o bom resultado advém justamente da base fraca de comparação; contudo, é de se destacar que o crescimento real ficou acima da inflação do período, reforçando a percepção de crescimento.

Para Emerson Luiz Destro, presidente da ABAD, as expectativas com a agenda liberalizante do governo federal, que beneficia o setor produtivo e finalmente parece caminhar, motivam uma onda de otimismo que pode ser decisiva para colocar o país na rota crescimento ainda neste ano.

“Temos muitas medidas governamentais positivas, como as privatizações e concessões, que irão reduzir a dívida pública; a nova liberação de parte do FGTS, capaz de impulsionar o consumo do segundo semestre; a MP da Liberdade Econômica, que simplifica procedimentos burocráticos, além da flexibilização das Normas Regulamentadoras (NRs) de segurança e saúde do trabalho. Tudo isso dá um novo ânimo para o empresário”, avalia Destro.

O presidente pondera que, para além do otimismo do comércio, o aumento do nível de emprego será decisivo para tornar esse crescimento sustentável. “Mas sabemos que, não havendo grandes solavancos no cenário político-econômico, o segundo semestre é tradicionalmente mais aquecido do que o primeiro. Então, embora com alguma cautela, continuamos a apostar em crescimento”, diz.

O resultado acumulado do ano, em números nominais, apresentou-se positivo em 1,71%. Em termos deflacionados, o dado segue em terreno negativo, em -2,24%, mas a expectativa é recuperar as perdas e chegar a resultados positivos ainda no segundo semestre deste ano.

INFLAÇÃO – A inflação oficial brasileira segue em “patamar confortável” em agosto, segundo analistas. O IPCA desacelerou para 0,11% em agosto, de 0,19% em julho, com menores preços de alimentos e das passagens aéreas. A inflação pelo indicador acumulado em 12 meses até acelerou, para 3,43% em agosto, mas permanece abaixo do centro da meta de 4,25% deste ano — a meta tem margem de flutuação de 1,5 ponto percentual.

VAREJO – As vendas no varejo paulistano cresceram 1% em agosto na comparação com igual mês do ano passado, mostra medição divulgada ontem pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O aumento foi influenciado principalmente pelas compras à vista, que subiram 1,4% no período, enquanto o sistema a prazo avançou 0,6%. Para a entidade, a expansão nas vendas está relacionada ao inverno tardio ocorrido no mês, que teve efeito positivo sobre o movimento nas lojas de vestuário, calçados e artigos de uso pessoal.

INDÚSTRIA – A indústria começou o segundo semestre em queda, na contramão das expectativas do mercado. A produção do setor recuou 0,3% em julho, na comparação a junho, pela série com ajuste sazonal da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São agora três meses seguidos de queda. O resultado ocorre após a variação negativa de 0,7% do indicador em junho, frente ao mês anterior — este dado foi revisado, de queda de 0,6% anteriormente divulgada. Em maio, a indústria também havia recuado, em 0,1%.

Notícias Relacionadas

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.