Faturamento do setor atacadista e distribuidor cresce 3,21% em julho

Apesar das incertezas com o cenário político, perspectiva é manter-se no campo positivo nos próximos meses

A pesquisa mensal da ABAD (Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados), apurada pela FIA (Fundação Instituto de Administração), mostra, em termos nominais, crescimento do faturamento do setor atacadista e distribuidor de 3,21% em julho na comparação com o mês de julho de 2017. No acumulado do ano, de janeiro a julho, houve queda de -1,87% em relação ao mesmo período de 2017; em relação ao mês anterior, junho de 2018, o recuo foi de -2,91%.

“As vendas estão estáveis com perspectiva de melhora em razão da chegada do fim do ano. Nem de longe, contudo, isso indica uma situação confortável. Sabemos que a roda da economia só vai girar de verdade quando o consumidor restabelecer sua confiança, que está intimamente ligada à redução do desemprego”, afirma o presidente da ABAD, Emerson Destro.

Na avaliação de Destro, para o setor atacadista e distribuidor, nada indica neste momento uma queda brusca no faturamento nos próximos meses. “Temos uma base fraca de comparação, a inflação sob controle e os preparativos para as festas de fim de ano. Esse “conjunto” deve nos manter no terreno positivo”, destaca.

PIB 1 – O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre mostrou mais uma vez um crescimento fraco, com desempenho ruim da demanda doméstica, especialmente do investimento. A economia brasileira cresceu apenas 0,2% em relação ao trimestre anterior, feito o ajuste sazonal, refletindo o impacto da greve dos caminhoneiros. No período, a formação bruta de capital fixo (FBCF, medida do que se investe em máquinas e equipamentos, construção civil e inovação) caiu 1,8% na comparação com os três meses anteriores, depois de quatro altas seguidas. O consumo das famílias avançou somente 0,1%, ao passo que o consumo do governo subiu 0,5%.

PIB 2 – Após a divulgação do resultado do PIB, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revisou para baixo sua expectativa para a expansão da economia em 2018, de 1,6% para 1,3%. Embora tenha sido o sexto trimestre sem quedas no PIB, “a economia apresentou claras dificuldades em acelerar o ritmo de crescimento nos últimos três trimestres”, afirma a divisão econômica da CNC em nota.

EMPREGO – O número total de desempregados no país caiu de 13,7 milhões no primeiro trimestre deste ano para 13 milhões no segundo trimestre. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de um trimestre para outro, houve uma queda de 723 mil pessoas na população desocupada, ou seja, de 5,3%.Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, também houve queda: 520 mil pessoas ou 3,9%. A taxa de desemprego foi outro indicador que apresentou queda nesta edição da PNAD-C de 13,1%, no primeiro trimestre, para 12,4% no segundo trimestre do ano. No segundo trimestre do ano passado, a taxa era de 13%.

DIESEL – Desde sexta-feira, 31, começaram a valer os novos preços de comercialização do diesel no Brasil. Na noite de quinta-feira (30), a Agência Nacional de Petróleo (ANP) corria contra o tempo para fechar os novos valores máximos que a Petrobras, e os demais produtores e importadores de derivados, podem cobrar das distribuidoras pelo litro do combustível, se quiserem ser ressarcidos pelo programa de subsídios nos preços do diesel. Os números ainda não foram divulgados. Em meio à desvalorização do real frente ao dólar nas últimas semanas, a expectativa do mercado era de alta nos preços de comercialização do diesel, que serve como base para o valor fixado para venda em cinco regiões do país. O Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o banco UBS e a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) estimavam um aumento de 10% a 13%, dependendo da região.

CONFIANÇA 1 – O Índice de Confiança Empresarial (ICE), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), ficou praticamente estável em agosto, ao subir 0,1 ponto em relação a julho, para 91,6 pontos. Na métrica de média móveis trimestrais, o índice recuou pelo quinto mês consecutivo (0,4 ponto). Entre os componentes, o Índice de Situação Atual caiu 0,3 ponto em agosto ao atingir 89,6 pontos, revelando uma piora na percepção dos empresários sobre o momento presente da economia. Já o Índice de Expectativas (IE-E), que vinha em queda por dois meses seguidos, subiu 0,5 ponto alcançando 98,1 pontos. “Em ambos os casos, torna-se evidente que a tendência de elevação da confiança que vinha ocorrendo desde o início de 2017 perdeu fôlego ao longo do primeiro semestre”, diz a FGV.

CONFIANÇA 2 – Com demanda e mercado de trabalho ainda desfavoráveis, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) caiu 2,5% entre julho e agosto, para 103,7 pontos, menor patamar desde agosto do ano passado (103,1 pontos), informou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Na comparação com agosto de 2017, o aumento foi de 0,6%. Para Fabio Bentes, economista da CNC, 2018 caminha para ser mais um ano de frustração para o varejo. “Não vou dizer que o ano está perdido. Mas está sendo frustrante”, afirmou. No Icec de agosto, é possível perceber insatisfação do setor com o fraco desempenho da economia. Na opinião de 72% dos entrevistados (um grupo que inclui 6 mil empresas), houve deterioração do cenário econômico nos últimos meses.

INCERTEZA – O fim da influência negativa da greve dos caminhoneiros levou a uma queda de 1,5 ponto do Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) entre julho e agosto de 2018, para 114,2 pontos, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Mesmo com o resultado, o indicador persiste na região de incerteza elevada, acima de 110 pontos pelo sexto mês consecutivo. Para Raíra Marotta, pesquisadora da FGV, a queda não deve prosseguir nos próximos meses. Na prática, a incerteza sobre a disputa eleitoral, principalmente em relação à política econômica do futuro presidente em 2019, deve manter o indicador em alta até o fim do ano. Além do cenário eleitoral, ela destacou como fator de incerteza a recente disparada do dólar, devido a solavancos no mercado internacional, afetado por guerra comercial entre China e EUA.

CONSUMO – O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) cresceu 3,1% em relação a julho e alcançou 104,7 pontos, em agosto, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Trata-se do maior nível desde os 105,2 pontos de maio de 2016, quando o Brasil ainda enfrentava recessão, informou a CNI. Esse aumento no índice reverteu a queda de junho após a paralisação do transporte rodoviário de cargas no país. Mas, mesmo com essa elevação, o saldo continua abaixo dos 107,7 pontos, que é a média histórica. O indicador é calculado a partir de componentes de expectativa sobre inflação, emprego, situação financeira, endividamento, renda pessoal e compra de produtos de alto valor. São seis itens. A pesquisa apontou aumentos relevantes nas perspectivas sobre três deles: inflação, emprego e renda pessoal nos próximos seis meses.

INADIMPLÊNCIA – O número de empresas com contas em atraso e registradas nos cadastros de inadimplentes cresceu 9,38% em julho de 2018, ante o mesmo mês do ano passado, segundo o Indicador de Inadimplência da Pessoa Jurídica. O índice é apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Trata-se do terceiro mês seguido em que a alta supera a casa dos 9%: em junho, o crescimento havia sido de 9,41% e em maio, de 9,37%, ambos na comparação com o mesmo mês de 2017. O aumento observado em julho foi puxado, principalmente, pela região Sudeste, que apresentou um aumento de 16,44% na quantidade de empresas devedoras.

Notícias Relacionadas

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.