IBGE: Varejo estável e desempenho fraco no primeiro trimestre

Pesquisa Mensal do Comércio reforça sinais de recuperação lenta da economia

A economia voltou a mostrar sinais pouco animadores, reforçando um cenário de fraco desempenho da atividade no primeiro trimestre. O volume de vendas do varejo restrito ficou estável em fevereiro, na comparação livre de fatores sazonais com o mês anterior, conforme divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC). Já o varejo ampliado – que inclui veículos e material de construção, além de outros oito segmentos – teve queda de 0,8% no mesmo tipo de comparação.

Para analistas, fatores como a lenta recuperação do mercado de trabalho e dificuldades na tramitação da reforma da Previdência Social impedem um crescimento mais expressivo do setor. Das dez atividades pesquisadas pelo IBGE no varejo ampliado, seis registraram queda em relação a janeiro: combustíveis e lubrificantes (-0,9%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,7%); móveis e eletrodomésticos (-0,3%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-3%); veículos e motos, partes e peças (-0,9%); e material de construção (-0,3%). Por sua vez, as quatro atividades que apresentaram crescimento foram: tecidos, vestuário e calçados (4,4%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,1%); livros, jornais, revistas e papelaria (0,2%); e outros artigos de uso pessoal e doméstico (1%).

INDÚSTRIA – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou para baixo as estimativas de crescimento da economia e da indústria para este ano. A previsão para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país recuou para 2%, ante os 2,7% previstos em dezembro de 2018. A perspectiva para o crescimento do PIB Industrial caiu de 3% para 1,1%. As informações estão no Informe Conjuntural do primeiro trimestre divulgado pela CNI nesta quinta-feira (11). De acordo com o Informe Conjuntural, a previsão para o aumento do consumo das famílias diminuiu de 2,9% em dezembro para 2,2% agora. A estimativa para a taxa média de desemprego neste ano subiu de 11,4% em dezembro para 12%. A perspectiva de crescimento dos investimentos caiu de 6,5% para 4,9%.

INFLAÇÃO 1 – Pressionado por alimentos e combustíveis, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, surpreendeu ao acelerar para 0,75% em março, de 0,43% em fevereiro, segundo divulgado nesta quarta-feira pelo IBGE. Trata-se da maior taxa para o mês de março desde 2015 (1,32%). Foi também o maior índice acumulado em 12 meses dos últimos dois anos, desde a alta de 4,76% em fevereiro 2017 (+4,76%). Apesar da aceleração registrada em março, o IPCA segue sem sinais de pressão de demanda, disse Fernando Gonçalves, gerente de Índices de Preços do IBGE. A inflação do grupo de Alimentação e bebidas, que representa um quarto das despesas das famílias, saiu de uma alta de 0,78% em fevereiro para 1,37% em março. Os alimentos para consumo em casa subiram 2,07% em março, com destaque para produtos como tomate (31,84%), batata-inglesa (21,11%) e feijão carioca (12,93%). O avanço dos alimentos era esperado por analistas e reflete questões sazonais de clima e oferta.

INFLAÇÃO 2 – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou elevação de 0,77% em março, depois de elevação de 0,54% um mês antes, informou na quarta-feira (10) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado do ano, o índice subiu 1,68%. No acumulado em 12 meses, o aumento é de 4,67%, acima da taxa de 3,94% dos 12 meses encerrados em fevereiro. O INPC é calculado com base no perfil de consumo de famílias com rendimento de um a cinco salários mínimos e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande e de Brasília.

INFLAÇÃO 3 – O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 0,62% na primeira prévia de abril, após elevação de 0,71% em igual período de março, informou na quarta-feira (10) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com peso de 60%, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) avançou 0,65% no primeiro decêndio de abril, ante elevação de 0,90% na mesma parcial do mês anterior. Os preços dos Bens Finais aumentaram 0,64% no início de abril, ante 1,25% um mês antes. A principal contribuição para esse movimento partiu do subgrupo alimentos in natura (+10,36% para -1,32%). Bens Intermediários registraram acréscimo de 0,11% no primeiro decêndio de abril, contra 0,27% na parcial de março, e as Matérias-Primas Brutas subiram 1,30%, contra alta de 1,25%. Com peso de 30%, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) também teve elevação de 0,65% no primeiro decêndio de abril, ante 0,47% na primeira prévia de abril. Das oito classes de despesa componentes do índice, foi destaque o grupo Transportes (0,17% para 1,38%). Em contrapartida, subiram menos os grupos Alimentação (0,95% para 0,69%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,52% para 0,09%) e Educação, Leitura e Recreação (0,63% para 0,38%). Foram comparados os preços coletados no período de 21 a 31 de março com os de 21 de fevereiro a 20 de março.

 

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