Intenção de consumo mantém tendência de alta

Segundo CNC, famílias continuam se mostrando mais dispostas a consumir, impulsionadas, sobretudo, pela estabilidade dos preços

A intenção de gastos das famílias brasileiras é crescente e deverá permanecer em ascensão até o fim do ano, de acordo com o índice Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de setembro, divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O resultado representa a segunda alta consecutiva do ICF em 2019 (+0,3%), após longo período de queda, que durou de março a julho.

O ICF chegou a 92,5 pontos com a nova alta, alcançando sua melhor pontuação desde maio – o recorde do ano foi aferido em fevereiro: 98,5 pontos. Diante do potencial de consumo verificado com o estudo, a CNC espera que haja um incremento gradual das vendas comerciais até dezembro.

“As famílias continuam se mostrando mais dispostas a consumir, impulsionadas, sobretudo, pela estabilidade dos preços e pela possibilidade de abater dívidas, obtendo descontos ao utilizar os recursos do FGTS/PIS/Pasep”, afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

“Esse otimismo tem relação direta com a recuperação da economia”. A CNC estima que o dinheiro do FGTS e do PIS/Pasep gere R$ 7,4 bilhões em vendas para o varejo, elevando o consumo das famílias no PIB.

JUROS – O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa básica de juros de 6% ao ano para 5,5%, em linha com a expectativa dos economistas de mercado. Foi a segunda queda consecutiva, levando a Selic para nova mínima histórica. O colegiado também sugere que um novo corte deve acontecer no próximo encontro, em outubro. No comunicado que anunciou a decisão, o Banco Central (BC) avalia que “diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária”.

CONFIANÇA 1– O Índice de Confiança do Comércio (Icom) da Fundação Getulio Vargas (FGV) recuou 1,5 ponto em setembro, ao passar de 98,7 para 97,2 pontos. Apesar disso, o resultado não altera a tendência do indicador em médias móveis trimestrais, que subiu 1,3 ponto. Em setembro, a confiança caiu em 8 dos 13 segmentos. A piora foi totalmente influenciada pelo recuo do Índice de Situação Atual (ISA-COM), que caiu 3,6 pontos, ao passar de 95,7 para 92,1 pontos, depois de duas altas consecutivas. Já o Índice de Expectativas (IE-COM) voltou a avançar (0,7 ponto), atingindo 102,5 pontos.

INFLAÇÃO – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, avançou 0,09% em setembro, após registrar alta de 0,08% um mês antes, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice repetiu a taxa registrada em setembro de 2018 (+0,09%). Desta forma, a inflação acumulada em 12 meses manteve-se em 3,22% na passagem de agosto para setembro. Nos nove meses do ano, houve aumento de 2,60%.

CONFIANÇA 2 – O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas subiu 0,5 ponto em setembro, para 89,7 pontos, o maior nível desde março (91,0 pontos). O resultado do mês é tímido, mas sucede uma alta de 1,1 ponto no mês anterior, produzindo uma discreta tendência ascendente no terceiro trimestre, segundo a própria FGV. O Índice de Situação Atual (ISA) recuou 1,3 ponto, para 77,4 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) avançou 1,5 ponto, para 98,7 pontos, mantendo-se em patamar abaixo do nível neutro de 100 pontos pelo sexto mês consecutivo.

INADIMPLÊNCIA – O número de consumidores inadimplentes cresceu 2% em agosto, em relação a um ano antes, mesmo percentual verificado em julho, no mesmo tipo de comparação, segundo dados apurados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Na avaliação do SPC Brasil, embora o número de consumidores com nome sujo continue subindo no cálculo interanual, o ritmo ainda é de desaceleração da inadimplência, já que, em agosto de 2018, esse avanço havia sido de 3,6% contra um ano antes. Com exceção de janeiro, todos os meses de 2019 registraram crescimento de inadimplência inferior ao registrado um ano antes, tendo chegado a 6% em novembro do ano passado, segundo dados das duas entidades.

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