IPCA cai 0,09% e tem a menor taxa para agosto em dez anos

No ano, a inflação oficial acumula agora alta de 2,85%, bem acima do 1,62% registrado em igual período de 2017

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou queda de 0,09% em agosto, menor resultado para o mês desde 1998, quando houve recuo de 0,51%, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em julho, o IPCA tinha subido 0,33%. Em 12 meses, o IPCA desacelerou para 4,19% em agosto, ante os 4,48% acumulados no mês anterior. Foi a primeira desaceleração para esse indicador em quatro meses, período marcado pela greve dos caminhoneiros e alta da conta de luz. Com a leitura de agosto, o indicador acumulado em 12 meses ficou um pouco abaixo do centro da meta de inflação deste ano, de 4,5% — a meta tem uma margem de 1,5 ponto percentual, para mais ou para menos.

No ano, a inflação oficial acumula agora alta de 2,85%, bem acima do 1,62% registrado em igual período de 2017. Em agosto, passagens aéreas, combustíveis e alimentos ficaram mais baratos. Transportes foram o principal destaque de queda no período, ao recuar 1,22% ante julho. Esse grupo foi responsável por retirar 0,23 ponto percentual do IPCA.

SUPERMERCADO – As vendas em supermercados apresentaram alta em julho em termos reais (deflacionados) de 1,12% ante junho e de 0,30% na comparação com o mesmo mês de 2017. Em valores nominais, os porcentuais são de 1,45% e 4,78%, respectivamente, conforme o Índice Nacional de Vendas da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). No acumulado de janeiro a julho o crescimento real foi de 1,91% na comparação com o mesmo período do ano passado, ao passo que o indicador nominal foi de 5,34%.”O resultado real acumulado mostra uma desaceleração no ritmo das vendas do setor. A recuperação da economia ainda é lenta, embora a taxa de desemprego esteja em queda, ainda atinge cerca de 13 milhões de brasileiros economicamente ativos, o que impacta diretamente no poder de compra das pessoas. Mas nossas expectativas para os próximos meses são boas, com o pagamento da primeira parcela do 13º dos aposentados e a liberação do PIS/Pasep, acreditamos que a economia ganhará um impulso a mais nesse segundo semestre”, afirma o presidente da Abras, João Sanzovo Neto, por meio de nota.

VAREJO – O movimento dos consumidores nas lojas de todo o país cresceu 0,9% em agosto em relação a julho, segundo o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio, publicado nessa segunda-feira (10). Em relação a agosto de 2017, a alta foi de 7,9%. Com esses resultados, no acumulado do ano de 2018 até agosto, a atividade varejista cresceu 6,7% frente ao mesmo período de 2017. O resultado da atividade varejista em agosto foi influenciado pelo bom desempenho do segmento de veículos, motos e peças (alta de 3,4%), beneficiado pela expansão do crédito neste segmento, bem como pela recuperação do setor de supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (alta de 1,8%), passados os efeitos inflacionários transitórios causados pela paralisação dos caminhoneiros em maio, diz a Serasa.

INADIMPLÊNCIA – Impulsionada por melhora nas condições de tomada de crédito, a parcela de endividados atingiu em agosto o maior patamar em cinco meses e deve continuar a subir, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A fatia de famílias que se declararam endividadas foi de 60,7% em agosto, 1,1 ponto percentual mais do que no mês anterior. Foi o maior percentual desde março deste ano (61,2%) e, segundo Marianne Hanson, economista da CNC, a tendência é que a fatia de endividados continue crescendo nos próximos meses. Marianne lembrou que o segundo semestre é, normalmente, mais aquecido em oferta e em tomada de empréstimos. Como as condições de crédito estão mais atrativas (com os juros menores), a fatia de endividados deve permanecer em alta até o fim deste ano.

INDÚSTRIA – A indústria brasileira começou o segundo semestre em ligeira queda, porém com resultado melhor do que o esperado pelo mercado. A produção industrial cedeu 0,2% na passagem de junho para julho, pela série com ajustes sazonais, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ocorre após a alta de 12,9% em junho, frente ao mês anterior — este dado foi revisado de elevação de 13,1%. A produção industrial havia recuado 10,9% em maio, com o impacto da greve dos caminhoneiros. Ante julho de 2017, a produção das fábricas cresceu 4%, após avanço de 3,4% em junho no mesmo tipo de comparação. Apesar da queda de 0,2% da produção industrial em julho, na comparação com junho, menos da metade dos segmentos industriais apresentou taxas negativas na passagem dos dois meses, mostram dados do IBGE. Dos 26 ramos avaliados pelo IBGE, dez registraram recuo na produção entre junho e julho. Dos destaques negativos, considerando o peso das atividades dentro da pesquisa, a produção de veículos automotores, reboques e carrocerias diminuiu 4,5% e a de produtos alimentícios teve decréscimo de 1,7%.

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