O Termômetro ABAD – Inteligência de Mercado, desenvolvido em parceria com a NielsenIQ/Mtrix, mostra que o Canal Indireto atravessou um mês de fevereiro marcado por um cenário de ajuste nas vendas, com retração em volume e faturamento, acompanhada por aumento de preços e do ticket médio. O número de pontos de venda (PDVs) também apresentou redução no período, reforçando um movimento já observado em janeiro: um varejo mais enxuto e criterioso nas compras.
No acumulado do ano, o movimento mostra variação de -4% no faturamento e -7,1% no volume, enquanto o número de PDVs recua -12,2%. Por outro lado, o preço médio cresce +3,3% e o ticket médio avança +9,4%, indicando uma recomposição de valor nas operações.
Na comparação com fevereiro de 2025, o cenário foi similar: faturamento recuou -6,9% e o volume de vendas, -9,9%. Em contrapartida, o preço médio avançou +3,3%, contribuindo para a elevação do ticket médio em aproximadamente +6,4%. O total de PDVs apresentou queda de -12,6%.
Os dados são baseados em informações reais de vendas (sell through) do Canal Indireto no mercado de bens de consumo, captadas por uma base que reúne mais de 2.600 atacadistas e distribuidores, responsáveis por abastecer cerca de 1 milhão de pontos de venda em todo o país.
Para o presidente da ABAD, Leonardo Miguel Severini, o momento exige leitura estratégica do mercado. “Assim como observamos nos dados de janeiro, seguimos em um cenário de recomposição de valor e maior eficiência na gestão das compras. O atacado distribuidor permanece essencial para manter o pequeno e médio varejo ativo, ajustando suas estratégias de acordo com o comportamento do consumidor”, afirma.
Mercado de alimentos
No varejo alimentar, o acumulado do ano também aponta ajuste nas vendas, com retração de -1,3% no faturamento e -6,6% no volume. Em contrapartida, o preço médio subiu +5,6% e o ticket médio avançou cerca de +10%, enquanto o número de PDVs recuou aproximadamente -10%.
Regionalmente, Sudeste e Norte se destacaram como as únicas regiões com crescimento em faturamento no período, com altas de +0,6% e +2,1%, respectivamente.
No food service, o comportamento foi semelhante ao do varejo alimentar, porém com retrações mais intensas: -2,9% no faturamento e -9,4% no volume. Em contrapartida, houve aumento do preço médio (+7,2%) e do ticket médio (+10,1%), enquanto o número de PDVs caiu -11,8%.
Entre as regiões, no food service o desempenho foi mais homogêneo, com exceção do Sul, que registrou queda mais acentuada no faturamento (-10,6%) e crescimento mais moderado do ticket médio (+3,3%).
O levantamento de fevereiro analisou mais de 325 mil pontos de venda do varejo alimentar e cerca de 225 mil estabelecimentos de food service, reforçando a abrangência e a robustez do estudo na leitura do comportamento do mercado.










