O desempenho do varejo alimentar em outubro de 2025 refletiu a continuidade de tendências observadas ao longo do ano: desaceleração nos volumes comercializados, aumento de preços mais contido e impacto relevante de fatores externos, como o clima e o comportamento do consumidor. Os dados do Radar Scanntech – Varejo de Vizinhança, apurados com exclusivadade para a ABAD, mostram que esses elementos, combinados, exigem atenção redobrada de atacadistas, distribuidores e varejistas quanto à gestão do sortimento, estratégias promocionais e planejamento logístico. CLIQUE AQUI para ver a apresentação completa.
Em comparação com o mesmo mês do ano anterior, o Varejo de Vizinhança registrou crescimento de +1,9% no faturamento, apesar da retração de -3,6% nas vendas em unidades. O desempenho ficou acima do Total Mercado, que apresentou queda ainda mais acentuada, reforçando a resiliência do canal.
A redução nas temperaturas em diversas regiões do país teve impacto direto sobre categorias sensíveis ao clima, como bebidas, sorvetes, produtos de higiene pessoal e protetores solares. Além disso, observou-se queda significativa no consumo de produtos ligados à indulgência, como chocolates, biscoitos, balas e snacks, que respondem por mais de 79% da retração em unidades no período analisado.
A cesta de bebidas, em especial, foi a principal responsável pelo recuo em volume, com destaque para cervejas, refrigerantes e sucos. Juntas, essas categorias representaram mais de 96% da queda do segmento. Ainda assim, no Varejo de Vizinhança, o desempenho foi superior ao registrado no mercado como um todo.
Nova dinâmica de compra
Outro ponto relevante é a desaceleração do formato atacarejo, que apresentou queda de -4,3% em unidades vendidas e retração de -1% no faturamento. A maturidade do canal e o aumento da competição entre lojas vêm dificultando o crescimento de vendas nas mesmas unidades, o que sinaliza a necessidade de estratégias de retenção e diferenciação mais robustas.
Em contrapartida, o Varejo de Vizinhança manteve relativa estabilidade e demonstrou capacidade de adaptação. Apesar da redução no fluxo de consumidores, houve aumento no número de itens por ticket, o que indica um comportamento de compra mais planejado e racionalizado por parte do consumidor.
No recorte regional, todas as regiões do país registraram queda em unidades, sendo os recuos mais expressivos observados no Norte e no Nordeste. No entanto, apenas a região Norte apresentou retração também no faturamento. De forma geral, o desempenho do Varejo de Vizinhança superou o do Total Varejo em todas as regiões, com exceção do Nordeste.
Sazonalidade continua sendo fator estratégico
O Carnaval de 2025 consolidou-se como uma das datas sazonais mais relevantes para o Varejo de Vizinhança, com desempenho em faturamento superior ao do Total Mercado. Itens como bebidas não alcoólicas ganharam destaque, e a região Norte, tradicionalmente entre as últimas colocadas em desempenho, assumiu a segunda posição no ranking nacional durante o período festivo.
Esse resultado reforça a importância da preparação antecipada e segmentada para eventos sazonais, bem como a necessidade de leitura refinada do comportamento regional dos consumidores. Ajustes táticos em calendário promocional, sortimento e abastecimento podem ser decisivos para alavancar o desempenho em datas específicas.











