O Comitê ESG da ABAD realizou, na manhã de 12 de fevereiro, encontro virtual para avançar no alinhamento estratégico de 2026 e estabelecer diretrizes e metas de ação nos três pilares (Ambiental, Social e Governança) com foco em iniciativas estruturantes para o setor atacadista distribuidor.
A abertura institucional foi conduzida por Oscar Attisano, superintendente-executivo da ABAD, que ressaltou a relevância estratégica do Comitê. Em seguida, o presidente da ABAD e da UNECS, Leonardo Miguel Severini, reforçou que, no ano em que a Associação celebra 45 anos, o setor deve avançar “da reflexão para a prática”, com projetos concretos, mensuráveis e capazes de fortalecer a responsabilidade ambiental, a inclusão social e a governança estruturada no canal indireto.
Como coordenador do Comitê, Alessandro Dessimoni conduziu a pauta e propôs as diretrizes estratégicas para 2026. No pilar Ambiental, foram definidos dois eixos prioritários: a expansão do projeto de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) no pequeno varejo, considerando a nova regulamentação e seus impactos operacionais e reputacionais para o canal indireto, e o mapeamento das emissões no transporte rodoviário da cadeia de abastecimento, com diagnóstico inicial e definição de próximos passos para mitigação. As estratégias do pilar ambiental são sempre coordenadas e traçadas por Gustavo Fonseca.
No pilar Social, conduzido por Hugo Bethlem, do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, o Comitê alinhou a estruturação de programas voltados ao primeiro emprego e à inclusão de profissionais 40+, por meio de parcerias estratégicas, com foco na sustentabilidade da força de trabalho do setor.
Já no pilar Governança, que fica sob o domínio de Dessimoni, a diretriz central é disseminar boas práticas aplicáveis ao canal indireto, com iniciativas relacionadas a compliance, critérios de qualificação e fortalecimento institucional.
Confira, abaixo, alguns detalhamentos de cada um dos pilares da Agenda ESG.
Pilar Ambiental
O coordenador do pilar Ambiental, Gustavo Fonseca, apresentou a evolução do projeto-piloto de PEVs no pequeno varejo, implementado no Rio Grande do Sul. Entre os resultados, foram registradas 89 coletas e 196 kg de resíduos, além de crescimento progressivo do volume por ponto. O projeto também se destaca pela rastreabilidade completa via MTR e certificação de destinação.
O projeto-piloto foi elogiado pelo Ministério Público local por incluir cooperativas como operadoras logísticas, levar educação ambiental a bairros periféricos e garantir rastreabilidade integral. Durante o debate, representantes da indústria apontaram interesse em sinergias com programas já existentes como iniciativas envolvendo vidro, plástico, cápsulas e cabides, e destacaram o potencial de capilaridade do canal indireto para ampliar o alcance das ações.
Do lado dos distribuidores, houve interesse em compreender com mais clareza o papel operacional do atacado distribuidor no modelo, especialmente em relação a custos, viabilidade financeira, rastreabilidade e etapas de implementação. Foi reforçado que o distribuidor atua como articulador junto ao pequeno varejo e que está em desenvolvimento uma tabela de precificação por escala e região. O projeto foi reconhecido como uma iniciativa prática, estruturada e com potencial real de expansão nacional.
Em paralelo, ainda no pilar ambiental, foi tratada a descarbonização do transporte, uma parceria com a Comgás que está iniciando a realização de uma Avaliação do Ciclo de Vida capaz de mapear as emissões do transporte rodoviário do setor e quantificar impactos de escopo 1 (distribuidores) e escopo 3 (indústrias). A proposta é construir um inventário de emissões e avaliar alternativas de mitigação, com destaque para a substituição parcial do diesel por gás natural.
Entre os próximos passos, foi definido o envio de um questionário aos associados para levantamento de dados de frota, seguido pela consolidação do inventário e pela análise de viabilidade econômica e ambiental. Foram citados cases de empresas que já operam com caminhões a gás, destacando redução de emissões, economia operacional e potencial de escalabilidade. O tema foi reconhecido como estratégico para o posicionamento ESG do setor.
Pilar Social
No pilar Social, o Comitê reforçou a importância de estruturar iniciativas para primeiro emprego e inclusão de profissionais 40+, com estímulo à construção conjunta entre indústria e distribuição. O tema já tinha tido o debate iniciado na reunião anterior, quando foram mencionadas potenciais parcerias com instituições técnicas, como SENAIS e SENAC, além de investimento junto à UNIABAD totalmente voltado a esse público sênior. Os membros se comprometeram a seguir com o debate na próxima reunião do comitê, que será presencial.
Pilar Governança
No pilar Governança, foi destacado o compromisso de evoluir na disseminação de boas práticas, fortalecer critérios de compliance e qualificação e consolidar entregáveis concretos para apresentação na Convenção ABAD.
Ao final do encontro, o Comitê definiu os seguintes encaminhamentos para as próximas etapas de trabalho: construção do modelo de expansão do Projeto Futuro Consciente, desenvolvimento da tabela de custos e escala dos PEVs, envio do questionário para levantamento de emissões do transporte e preparação da reunião presencial em abril para consolidação de resultados e próximos entregáveis.











