Termômetro ABAD aponta início de ano mais cauteloso no Canal Indireto

Os dados do Termômetro ABAD – Inteligência de Mercado de janeiro de 2026 revelam um início de ano mais desafiador para o Canal Indireto, refletindo o ritmo mais cauteloso do varejo no período. O faturamento recuou -3,5% em relação a janeiro de 2025, acompanhado de retração no volume de vendas (-5,3%) e na base de pontos de venda (-10%), sinalizando um varejo mais enxuto e seletivo nas compras. Por outro lado, o avanço do ticket médio por ponto de venda (+7,1%) e do preço médio (+1,9%) indica um movimento de recomposição de valor nas vendas, com maior concentração de compras e ajustes de mix, reforçando uma dinâmica de racionalização e priorização por parte dos varejistas.

Desenvolvido em parceria com a NielsenIQ/Mtrix, o estudo constrói um cenário de maior concentração de compras entre os PDVs remanescentes, com compensação parcial da retração de volume por meio do aumento de preços e da elevação do valor médio por ponto de venda.

As informações baseiam-se em dados reais de vendas do Canal Indireto (sell through) para o mercado de bens de consumo, captados por uma ferramenta que reúne mais de 2.600 atacadistas e distribuidores, responsáveis pelo atendimento de cerca de 1 milhão de pontos de venda em todo o país.

Para o presidente da ABAD, Leonardo Miguel Severini, apesar do ambiente mais desafiador, os indicadores trazem sinais importantes sobre a capacidade de adaptação do setor. “Os números mostram um varejo mais criterioso, mas também evidenciam um movimento de recomposição de valor e de maior eficiência na gestão das compras. O atacadista distribuidor segue exercendo um papel fundamental no abastecimento e na sustentação do pequeno e médio varejo, ajustando estratégias e fortalecendo a parceria com a indústria”, avalia.

Varejo alimentar e food service

No comparativo entre janeiro de 2026 e janeiro de 2025, o varejo alimentar registrou queda de -3,8% no faturamento e de -4,9% no volume, além de retração de -10,3% no número de PDVs. Em linha com o comportamento observado no Canal Indireto, o ticket médio avançou +7,3% e o preço médio subiu +1,2%, indicando concentração de compras e maior valor por transação.

Regionalmente, apenas o Norte apresentou crescimento no faturamento do varejo alimentar, com alta de +1,5%. A região também registrou o maior avanço no ticket médio (+13%), sinalizando dinamismo específico e oportunidades pontuais.

No food service, a tendência foi semelhante: retração de -1,4% no faturamento e de -7,3% no volume de unidades vendidas, além de redução de -10,1% no total de PDVs. Em contrapartida, o crescimento do preço médio (+6,4%) e do ticket médio (+9,7%) reforça o movimento de ajuste de preços e recomposição de margens.

Os dados de janeiro indicam um início de ano ainda sustentado por preço e ticket médio, mas com sinais de desaceleração ao longo das semanas, exigindo atenção estratégica e gestão mais apurada do mix e do relacionamento com o varejo.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *