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após a Sessão Solene de Abertura da ABAD 2017 SÃO PAULO, foi realizado o painel
político-econômico Brasil e suas Reformas,
cuja proposta foi falar sobre os desafios que o país enfrenta para
modernizar-se e ganhar maior eficiência e competitividade. Participaram do
painel: –
Emerson Destro – presidente da ABAD-
Dr. Fábio Kanczuk – Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda,
representando o ministro Henrique Meirelles-
Marcelo Maia Tavares Araújo – Secretário de Comércio e Serviços do MDIC –
Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, representando o ministro
Marcos Pereira –
Rogério Marinho – Deputado Federal, Presidente da CSE – Frente Parlamentar
Mista em Defesa do Comércio, Serviços e Empreendedorismo e Relator da Reforma
Trabalhista-
Arthur Maia – Deputado Federal e Relator da Reforma da Previdência-
Luiz Carlos Hauly – Deputado Federal e Relator da Reforma Tributária-
Honório Pinheiro – Presidente da CNDL e Coordenador da UNECS –
Emerson Luiz Destro, presidente da ABAD- O
economista Ricardo Amorim (como mediador). Ricardo
Amorim abriu o painel com algumas informações inquietantes: entre 1980 e 2017,
a produtividade do brasileiro não aumentou. Apesar de ter havido melhoria na
capacitação e no grau de instrução, isso não se refletiu em produtividade
porque o governo, nesse mesmo período, implementou normas e tributos que
impediram esse crescimento, daí a necessidade e urgência das três reformas –
trabalhista, tributária e previdenciária. O
economista também defendeu que a reforma previdenciária deveria ter total
prioridade, pois o modelo em que se baseia o sistema brasileiro de previdência está
defaso e se tornou insustentável, em função da redução da taxa de natalidade e
do amento da expectativa de vida do brasileiro ao se aposentar. “Antes, 10
trabalhadores na ativa bancavam os proventos de um aposentado. Hoje, essa
relação é de dois para um e continua a cair rapidamente”, afirmou. “No atual
sistema, o governo precisa bancar a diferença, que só aumenta a retira recursos
de outras áreas fundamentais como saúde e educação. Para que possa investir
nessas áreas sem aumentar impostos, a reforma previdenciária é imperativa”,
conclui. A já
aprovada modernização trabalhista foi apontada como um exemplo de sucesso, que
foi creditada pelo relator à busca incessante pelo diálogo e pelo consenso. Em
sua fala no painel, o deputado Rogério Marinho destacou o papel fundamental das
entidades setoriais na construção e aprovação do projeto, em especial a UNECS
(União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços, da qual a ABAD faz parte).
“Conversamos com os setores, com as bancadas federais, as entidades
empresariais e obtivemos o necessário apoio.” Marcelo
Maia, do MDIC, também destacou os debates e as contribuições do Executivo nessa
matéria. “É importante que o poder executivo queira mudar, deater, chegar a um
consenso, e foi o que aconteceu”, disse. Segundo o secretário, legislativo e
Executivo também estão junto na elaboração uma cartilha para mostrar os
benefícios e os avanços da reforma trabalhista. Arthur
Maia disse o que a sociedade pode esperar da reforma previdenciária. “É
inacreditável que o Brasil seja um dos 5 ou 6 países que ainda mantêm a
aposentadoria por tempo de contribuição, quando em quase todo o mundo é
consenso a adoção da uma idade mínima. “No modelo brasileiro, existem apenas o
Equador e mais dois ou três países da África e do Oriente Médio”, afirmou.
Segundo ele, a mudança sofre forte resistência das corporações representativas
do funcionalismo público, em especial das categorias de maior remuneração. Honório
Pinheiro, presidente da CNDL e coordenador da UNECS reforçou a necessidade de
participação do setor privado na formulação e aprovação das reformas e destacou
as muitas reuniões realizadas com a CSE – Frente Parlamentar Mista em Defesa do
Comércio, Serviços e Empreendedorismo para debater o tema. “Nós, empresários,
precisamos nos posicionar.” Também relembrou
o processo de formação da UNECS, frisando a complementaridade e
capilaridade das entidades que a compõem. Fábio
Kanczuk, da Fazenda, falou sobre as reformas microeconômicas que estão no
âmbito do Executivo, sem depender de mudanças nas leis, que podem ter impacto
altamente positivo na produtividade. Ele lembrou que entre 1995 e 2000, os
Estados Unidos tiveram cinco anos de crescimento contínuo e sem inflação,
decorrente dos ganhos de produtividade. O secretário também afirmou que, no
médio prazo, os dados já disponíveis apontam para um cenário otimista. “O
processo de retomada da economia é inexorável”, diz Kanczuk. Já o
relator da reforma tributária, Luiz Carlos Hauly, destacou que o PIB
brasileiro, hoje, permanece do tamanho que era em 2010, creditando esse
resultado ao emaranhado tributário que rege o país. “A reestruturação
tributária é fundamental para a retomada do desenvolvimento.” Hauly também defendeu um Refis mais amplo do
que o proposto pela Fazenda, para dar fôlego às empresas, além da adoção do IVA
(Imposto sobre Valor Agregado) nacional, o que alinharia o país às economias
mais desenvolvidas do mundo.
A ABAD 2017 SÃO PAULO, que integra o ENACAB – Encontro Nacional da Cadeia
de Abastecimento e a 37ª Convenção ABAD do Canal Indireto, acontece até o 9 de
agosto, no São Paulo Expo, em uma realização conjunta da Associação Brasileira
de Atacadistas e Distribuidores (ABAD) e de sua filiada Associação de
Distribuidores e Atacadistas de Produtos Industrializados de São Paulo (ADASP).