FCS promove debate sobre desoneração da folha e impactos no emprego e na competitividade

A FCS – Frente Parlamentar de Comércio e Serviços promoveu na quarta-feira (6) um debate sobre a desoneração da folha de pagamentos e seus impactos na geração de empregos, produtividade e competitividade da economia brasileira. O encontro reuniu representantes do setor produtivo e parlamentares.

O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, destacou que o Brasil ainda enfrenta elevados índices de informalidade e baixo avanço de produtividade. Segundo ele, o crescimento da produtividade brasileira nas últimas décadas ficou abaixo do registrado em outros países, cenário que impacta diretamente a competitividade das empresas.

Solmucci também chamou atenção para os custos da mão de obra e para os efeitos da inadimplência tributária no ambiente concorrencial. “Estamos cobrando imposto de quem não está pagando”, afirmou ao defender maior transparência na discussão sobre o tema.

O consultor da Abrasel, Paulo Lacerda, defendeu a construção de modelos-piloto antes de uma eventual ampliação da desoneração. Segundo ele, é possível criar ambientes controlados para testes e ajustes, reduzindo riscos fiscais e operacionais. Lacerda também ressaltou a relevância do setor de comércio e serviços na geração de empregos, especialmente para mulheres e jovens.

Durante o debate, o deputado Zé Neto, vice-presidente da FCS, destacou diferenças estruturais entre a economia digital e os setores tradicionais. Para ele, o comércio, a distribuição e o varejo continuam sendo os principais responsáveis pela geração de empregos formais no país, mas enfrentam assimetrias regulatórias em relação ao ambiente digital.

Já o deputado Luiz Gastão ponderou sobre os riscos de políticas de desoneração sem reformas estruturais mais amplas. Segundo ele, o crescimento da informalidade está diretamente relacionado à elevada carga tributária e aos custos de contratação, mas afirmou não apoiar a desoneração nos moldes atuais.

Representando a UNECS, o presidente Leonardo Miguel Severini defendeu maior mobilização do setor produtivo em busca de condições mais equilibradas de competição. Para ele, é necessário reposicionar o setor frente às transformações econômicas e regulatórias em curso.

Ao longo do encontro, participantes manifestaram apoio a medidas voltadas à redução do custo do emprego formal e ao fortalecimento da competitividade, ao mesmo tempo em que reforçaram a necessidade de equilíbrio fiscal e justiça tributária na construção de soluções para o país.

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